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Uma pesquisadora do curso Biotecnologia e Recursos Naturais da Amazônia, ministrado em Parintins, a 325 quilômetros de Manaus, estuda fungos capazes de degradar garrafas PET. O projeto de dissertação tem como título “Avaliação do Potencial de Fungos Coletados na Região do Médio Amazonas para Degradação de Polímeros Sintéticos Industriais".
De acordo com a mestranda Elaine Pires, a primeira excursão para a coleta de fungos já foi realizada e outras deverão acontecer ainda neste segundo semestre. Os primeiros resultados sobre otimização de crescimento e atividade enzimática leva a crer, segundo a aluna, que na avaliação inicial alguns fungos serão capazes de degradar garrafas PET, por exemplo.
O projeto tem a participação da bolsista do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Aldenize Viana, que é aluna do curso de Biologia do Centro de Estudos Superiores de Parintins.
A aluna vai participar da primeira parte da pesquisa, na avaliação da degradação de garrafa PET, através da análise qualitativa do crescimento, determinação da perda de massa e realizar controle abiótico e biótico.
Segundo Elaine, a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Parintins está viabilizando sua ida a Centros de Pesquisa no Brasil que disponham de microscópio eletrônico de varredura para análise da degradação do polímero.
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De acordo com a mestranda Elaine Pires, a primeira excursão para a coleta de fungos já foi realizada e outras deverão acontecer ainda neste segundo semestre. Os primeiros resultados sobre otimização de crescimento e atividade enzimática leva a crer, segundo a aluna, que na avaliação inicial alguns fungos serão capazes de degradar garrafas PET, por exemplo.
O projeto tem a participação da bolsista do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Aldenize Viana, que é aluna do curso de Biologia do Centro de Estudos Superiores de Parintins.
A aluna vai participar da primeira parte da pesquisa, na avaliação da degradação de garrafa PET, através da análise qualitativa do crescimento, determinação da perda de massa e realizar controle abiótico e biótico.
Segundo Elaine, a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Parintins está viabilizando sua ida a Centros de Pesquisa no Brasil que disponham de microscópio eletrônico de varredura para análise da degradação do polímero.
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BARREIRINHA - Por iniciativa da Paróquia de Barreirinha (a 328 quilômetros de Manaus) e Comissão Pastoral da Terra da Arquidiocese de Manaus (CPT), foi realizado um seminário com os trabalhadores de oito comunidades rurais que lutam pela posse da terra, da região do Paraná do Massauary e rio Andirá.
O objetivo foi para esclarecer aos trabalhadores da região quais providencias a CPT da Arquidiocese Manaus tomou para tentar resolver o conflito. Depois de um dia de discussão no distrito do Ariaú no rio Andirá, os trabalhadores rurais optaram e dar entrada no ministério do meio ambiente para a criação de uma reserva extrativista, como forma de garantir a terra e o território das comunidades, onde a Resex vai garantir ainda, a reprodução social, cultural e sua forma de viver.
- A criação da reserva é o reconhecimento de que essas populações tradicionais elas podem continuar vivendo aqui, com a sua forma tradicional de viver. Utilizado os recursos que eles tão bem já preservaram e que a floresta tão rica em lhes dá, disse a representante do CPT, Auriédia Marques.
Compromisso
Os representantes das entidades como Sindicato e Paróquia de Barreirinha, esperam que a escolha da criação da Resex, feita pelos trabalhadores possa dar tranquilidade as populações do município.
- Acredito que estão escolhendo bem eu fico contente porque tivemos a reposta do povo. A igreja na história sempre assumiu este compromisso com os pobres aqueles que eram espezinhados, faz parte da cultura da fé da igreja assumir isto, destacou o padre de Barreirinha Pedro Belcredi.
- A reserva extrativista é a saída pra cada agricultor que cabe seu lote permanecer sobrevivendo da existência da produção cultivando sempre a sua cultura desde o momento em que começou a sua vida no interior ate data de agora, enfatizou o presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Barreirinha, Francisco Andrade.
O abaixo assinado pelos trabalhadores vai ser dado entrada no Instituto Chico Mendes de biodiversidade em Manaus como primeiro passo para a criação da reserva extrativista.
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por Lúcio Flávio Pinto
A história contemporânea da Amazônia segue dois marcos. Sem considerá-los, ninguém poderá entender o que acontece na região. O primeiro deles, por ordem cronológica, tem dois desdobramentos. Começou na segunda metade da década de 50 do século passado, quando pela primeira vez a Amazônia foi integrada por terra ao restante do país, inicialmente através das rodovias Belém-Brasília e Brasília-Acre (seguidas de outras estradas de porte semelhante, como a Transamazônica).
Esse marco foi arrematado duas décadas depois, quando os militares, no poder pelo período mais longo de todas as suas intervenções na vida política brasileira, decidiram acelerar a ocupação desencadeada pelas estradas. O lema era categórico: “integrar para não entregar”.
Uma longa tradição de raciocínio geopolítico muito forte, sobretudo na caserna, garantia que a Amazônia era objeto, desde o início da presença européia, de uma cobiça internacional profunda, persistente e ameaçadora. Ela só não se consumara porque o colonizador português mostrara sua valentia (além de sagacidade) na defesa (e expansão) das fronteiras amazônicas. Esse sentimento foi repassado ao nativo.
Mas essas qualidades já não eram suficientes para assegurar a soberania nacional sobre a mais extensa e rica fronteira do país. Os “espaços vazios” constituíam o ponto frágil da vigilância e da defesa da integridade territorial. Era preciso que cidadãos nacionais ocupassem esses espaços, atraídos pelas promessas de enriquecimento e intensamente apoiados pelo governo (inclusive através de colaboração financeira do erário). A Amazônia precisava deixar sua condição de reserva e passar a produzir.
Essa contingência se impôs quando de outro marco: a primeira crise do petróleo, de 1973. O mundo se redefiniu para se adaptar ao novo custo da energia. Em nenhum lugar do mundo há mais energia contida na natureza do que na Amazônia. Em seus rios caudalosos, no seu subsolo, nas suas árvores, nas suas chuvas, no seu sol. Um dos lugares-chave da nova da nova redivisão internacional do trabalho passou a ser a Amazônia.
Ela tem duas das maiores fábricas de alumínio do planeta (e o alumínio é o bem industrial mais eletrointensivo que existe), a maior fábrica de alumina, algumas das principais plantas minerais, a quarta maior hidrelétrica da Terra. Quase todos esses bens e insumos são remetidos para o exterior. As empresas que os produzem contam com participação acionária de algumas das principais multinacionais. A Amazônia, internacionalizada desde a sua origem (foram os espanhóis que lhe deram esse nome) e nacionalizada só recentemente, já sob o Império, nunca foi tão internacionalizada quanto agora. E nunca tão integrada à economia nacional. Ao contrário do que pensavam os militares no poder, uma coisa levou à outra, ao invés de impedi-lo.
Os estrangeiros parecem ter aprendido que é mais cômodo e mais rentável explorar as riquezas da Amazônia sob um governo local do que abrindo filial colonial da metrópole no além-mar. Os relatos sobre tentativas de intervenção estrangeira direta não resistem a um exame mais apurado.
Diz a lenda (revestida de verdade histórica nos manuais de ocasião, muito caros aos nacionalistas) que, no século XIX, a poderosa Inglaterra só não anexou a Amazônia porque Eduardo Angelim, o principal líder da Cabanagem, a maior insurreição popular da história brasileira (irrompida em 1835), rejeitou as propostas insinuantes de autonomia de um representante britânico, colocando-o para correr.
Documentos oficiais ingleses, aos quais só recentemente se teve acesso, revelaram que o próprio governo brasileiro, na época chefiado pelo regente paulista Diogo Feijó (em nome do imperador Pedro II, ainda menor), autorizou a Inglaterra a invadir secretamente a convulsionada província para reprimir os rebeldes. A tarefa estava além das possibilidades das tropas brasileiras, empenhadas em combater outra grave insurreição, a dos Farrapos, no outro extremo do país, o Rio Grande do Sul.
Navios da armada inglesa (a mais poderosa da época) estiveram em Belém e seu comandante concluiu que dominaria tudo com apenas 150 fuzileiros navais. Se quisesse fazer da Amazônia uma nova Índia, era o momento. Feitos os cálculos, Sua Majestade verificou que lucraria mais mantendo a nacionalidade brasileira. Ao invés de tropa, mandou seu banco e financiou o início da exploração da borracha. O Banco do Brasil levou quase um século para se instalar na região, depois de criado.
O ministro das relações exteriores da Inglaterra, Lorde Palmerston, instruído pelo embaixador no Rio de Janeiro, não aceitou a proposta de Feijó para a invasão secreta, a repressão e a pacificação da província distante, que seria devolvida então ao governo imperial. Apresentou várias justificativas relacionadas à legalidade e à autodeterminação dos povos, mas, na verdade, tinha em mente números.
A Inglaterra ganhou muito dinheiro comprando e financiando a borracha amazônica. E, depois, quando constatada a inviabilidade de aumentá-la na escala exigida, partiu para o sucedâneo asiático, a partir de sementes coletadas no Pará. Tudo dentro da lei. Sem contrabando, ao contrário do que proclama outra lenda compensatória.
A “pacificação” da província rebelde, que o governo imperial acabou por assumir, foi mais sangrenta do que os motins políticos. Depois de cinco anos de conflagração, 20% da população da Amazônia morrera, com maior ênfase na fase da “pacificação”. Se fosse hoje, seriam mais de dois milhões de mortos. Há algo semelhante na história do Brasil? Não é tão frequente nem na belicosa história da humanidade.
Histórias de pé quebrado sobre a “cobiça internacional” da literatura geopolítica têm servido de habeas corpus ao saque dos recursos amazônicos, inclusive humanos, praticado pelos nacionais. Possibilitam até a pilhagem internacional, sem chamar a atenção da opinião pública, condicionada a achar que internacionalização é sinônimo de invasão armada.
Foi assim que o governo federal conseguiu criar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Dizia-se que os Estados Unidos aproveitariam uma manobra militar conjunta na vizinha (ex-inglesa) Guiana (o Brasil foi convidado e não aceitou), para ensaiar a invasão da Amazônia. Usaria o conceito de “soberania limitada”, ao qual a Amazônia estaria sujeita por ser patrimônio da humanidade.
Assim, o Sivam, mesmo custando dois bilhões de dólares, não passou por concorrência. Era mais uma ação de emergência pela defesa da ameaçada segurança nacional na Amazônia, alvo da insaciável cobiça internacional. A dispensa de licitação criou um dos escândalos que abalou a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso.
De lá para cá as exportações amazônicas cresceram mais de quatro vezes, a participação acionária de empresas estrangeiras se expandiu e os vínculos ao mercado mundial foram reforçados. Há menos “espaços vazios”, não só porque a população cresceu a uma taxa superior à da média nacional, como porque os pioneiros que abrem essas frentes foram responsáveis pelo maior desmatamento de toda história da humanidade: em meio século puseram abaixo área equivalente a três vezes o tamanho do Estado de São Paulo, que concentra um terço da riqueza nacional.
Ou seja: integrada, para não ser entregue aos piratas estrangeiros (ou aos “marines” americanos), a Amazônia paga aos seus protetores um preço. O de deixar de ser Amazônia. É assim que se torna Brasil, finalmente.
Esse marco foi arrematado duas décadas depois, quando os militares, no poder pelo período mais longo de todas as suas intervenções na vida política brasileira, decidiram acelerar a ocupação desencadeada pelas estradas. O lema era categórico: “integrar para não entregar”.
Uma longa tradição de raciocínio geopolítico muito forte, sobretudo na caserna, garantia que a Amazônia era objeto, desde o início da presença européia, de uma cobiça internacional profunda, persistente e ameaçadora. Ela só não se consumara porque o colonizador português mostrara sua valentia (além de sagacidade) na defesa (e expansão) das fronteiras amazônicas. Esse sentimento foi repassado ao nativo.
Mas essas qualidades já não eram suficientes para assegurar a soberania nacional sobre a mais extensa e rica fronteira do país. Os “espaços vazios” constituíam o ponto frágil da vigilância e da defesa da integridade territorial. Era preciso que cidadãos nacionais ocupassem esses espaços, atraídos pelas promessas de enriquecimento e intensamente apoiados pelo governo (inclusive através de colaboração financeira do erário). A Amazônia precisava deixar sua condição de reserva e passar a produzir.
Essa contingência se impôs quando de outro marco: a primeira crise do petróleo, de 1973. O mundo se redefiniu para se adaptar ao novo custo da energia. Em nenhum lugar do mundo há mais energia contida na natureza do que na Amazônia. Em seus rios caudalosos, no seu subsolo, nas suas árvores, nas suas chuvas, no seu sol. Um dos lugares-chave da nova da nova redivisão internacional do trabalho passou a ser a Amazônia.
Ela tem duas das maiores fábricas de alumínio do planeta (e o alumínio é o bem industrial mais eletrointensivo que existe), a maior fábrica de alumina, algumas das principais plantas minerais, a quarta maior hidrelétrica da Terra. Quase todos esses bens e insumos são remetidos para o exterior. As empresas que os produzem contam com participação acionária de algumas das principais multinacionais. A Amazônia, internacionalizada desde a sua origem (foram os espanhóis que lhe deram esse nome) e nacionalizada só recentemente, já sob o Império, nunca foi tão internacionalizada quanto agora. E nunca tão integrada à economia nacional. Ao contrário do que pensavam os militares no poder, uma coisa levou à outra, ao invés de impedi-lo.
Os estrangeiros parecem ter aprendido que é mais cômodo e mais rentável explorar as riquezas da Amazônia sob um governo local do que abrindo filial colonial da metrópole no além-mar. Os relatos sobre tentativas de intervenção estrangeira direta não resistem a um exame mais apurado.
Diz a lenda (revestida de verdade histórica nos manuais de ocasião, muito caros aos nacionalistas) que, no século XIX, a poderosa Inglaterra só não anexou a Amazônia porque Eduardo Angelim, o principal líder da Cabanagem, a maior insurreição popular da história brasileira (irrompida em 1835), rejeitou as propostas insinuantes de autonomia de um representante britânico, colocando-o para correr.
Documentos oficiais ingleses, aos quais só recentemente se teve acesso, revelaram que o próprio governo brasileiro, na época chefiado pelo regente paulista Diogo Feijó (em nome do imperador Pedro II, ainda menor), autorizou a Inglaterra a invadir secretamente a convulsionada província para reprimir os rebeldes. A tarefa estava além das possibilidades das tropas brasileiras, empenhadas em combater outra grave insurreição, a dos Farrapos, no outro extremo do país, o Rio Grande do Sul.
Navios da armada inglesa (a mais poderosa da época) estiveram em Belém e seu comandante concluiu que dominaria tudo com apenas 150 fuzileiros navais. Se quisesse fazer da Amazônia uma nova Índia, era o momento. Feitos os cálculos, Sua Majestade verificou que lucraria mais mantendo a nacionalidade brasileira. Ao invés de tropa, mandou seu banco e financiou o início da exploração da borracha. O Banco do Brasil levou quase um século para se instalar na região, depois de criado.
O ministro das relações exteriores da Inglaterra, Lorde Palmerston, instruído pelo embaixador no Rio de Janeiro, não aceitou a proposta de Feijó para a invasão secreta, a repressão e a pacificação da província distante, que seria devolvida então ao governo imperial. Apresentou várias justificativas relacionadas à legalidade e à autodeterminação dos povos, mas, na verdade, tinha em mente números.
A Inglaterra ganhou muito dinheiro comprando e financiando a borracha amazônica. E, depois, quando constatada a inviabilidade de aumentá-la na escala exigida, partiu para o sucedâneo asiático, a partir de sementes coletadas no Pará. Tudo dentro da lei. Sem contrabando, ao contrário do que proclama outra lenda compensatória.
A “pacificação” da província rebelde, que o governo imperial acabou por assumir, foi mais sangrenta do que os motins políticos. Depois de cinco anos de conflagração, 20% da população da Amazônia morrera, com maior ênfase na fase da “pacificação”. Se fosse hoje, seriam mais de dois milhões de mortos. Há algo semelhante na história do Brasil? Não é tão frequente nem na belicosa história da humanidade.
Histórias de pé quebrado sobre a “cobiça internacional” da literatura geopolítica têm servido de habeas corpus ao saque dos recursos amazônicos, inclusive humanos, praticado pelos nacionais. Possibilitam até a pilhagem internacional, sem chamar a atenção da opinião pública, condicionada a achar que internacionalização é sinônimo de invasão armada.
Foi assim que o governo federal conseguiu criar o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Dizia-se que os Estados Unidos aproveitariam uma manobra militar conjunta na vizinha (ex-inglesa) Guiana (o Brasil foi convidado e não aceitou), para ensaiar a invasão da Amazônia. Usaria o conceito de “soberania limitada”, ao qual a Amazônia estaria sujeita por ser patrimônio da humanidade.
Assim, o Sivam, mesmo custando dois bilhões de dólares, não passou por concorrência. Era mais uma ação de emergência pela defesa da ameaçada segurança nacional na Amazônia, alvo da insaciável cobiça internacional. A dispensa de licitação criou um dos escândalos que abalou a administração do presidente Fernando Henrique Cardoso.
De lá para cá as exportações amazônicas cresceram mais de quatro vezes, a participação acionária de empresas estrangeiras se expandiu e os vínculos ao mercado mundial foram reforçados. Há menos “espaços vazios”, não só porque a população cresceu a uma taxa superior à da média nacional, como porque os pioneiros que abrem essas frentes foram responsáveis pelo maior desmatamento de toda história da humanidade: em meio século puseram abaixo área equivalente a três vezes o tamanho do Estado de São Paulo, que concentra um terço da riqueza nacional.
Ou seja: integrada, para não ser entregue aos piratas estrangeiros (ou aos “marines” americanos), a Amazônia paga aos seus protetores um preço. O de deixar de ser Amazônia. É assim que se torna Brasil, finalmente.
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"The Role of Sacramental Plants in Sustainable Communities in the Western Amazon"
por Paulo Roberto Silva e Souza
via Google Tech Talk - January 14, 2010
Sinopse:
The Amazon rainforest is an ancient and highly diverse ecosystem that provides essential benefits for our entire planet and everything that lives on it, breathes air and depends on water. This ecosystem is being destroyed and its existence is being threatened by unthinking greed in the form of cattle ranchers, the agriculture industry, logging, and the infrastructure required for these encroachments. The talk tells the stories of three communities living in the forest in sustainable ways as stewards with respect and emerging understanding of natures principles using the spiritual teachings transmitted through the use of sacramental plants: the Yawanawa tribe and the Santo Daime communities in Ceu do Mapia and Ceu do Mar. The common thread through the talk is the necessity for the social expansion of environmental consciousness and the ways that this can be facilitated in the minds and hearts of people living in the style of the Western World with its focus on acquisition and domination.
Sobre o autor:
Paulo Roberto Silva e Souza received his degree in psychology from the University Gama Filho in Rio de Janeiro and began his professional carrier as a psychologist at the Pinel Hospital Suicide Prevention Center and the Ana Freud Clinic and Health Center Saint Romain in Rio de Janeiro. In 1976 he had first experiences with Santo Daime in Amazonia and was initiated by Padrinho Sebastiao. In 1982 he founded the first Santo Daime church outside of the Amazon in Rio de Janeiro which he still leads today. In 1985 he organized and led a multidisciplinary commission for the Brazilian government that conducted scientific research on the use of sacramental plants in the Acre and Amazonas states which led to the legalization of the church of Santo Daime in Brazil. As psychotherapist and shaman he introduced Daime ceremonies to 14 countries. In 1989 Paulo worked with IBAMA, the Brazilian Environmental Protection Agency, to preserve 1.6 million acres of national forests in the state of Amazonas, now the National Forests Mapiá, Inauini, and Purus. In conjunction with the UNEP-United Nations Environmental Program he implemented projects of environmental protection, forest extension and development for the Amazon. In 1994 he created the first National Heritage Private Reservation in Rio de Janeiro. He was a guest lecturer at Harvard University on environmental problems and solutions in Amazonia. Since 2008 he has been working on the project Eco Park Topo da Mata in the Natural Heritage Private Reservation.
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O plano é mobilizar milhares de pesquisadores para coletar informações sobre 160 mil espécies representativas, de grandes mamíferos a fungos, e com isso estabelecer a maior lista já feita sobre a situação da vida no planeta
Um diagnóstico completo da biodiversidade. É isso que sugere o artigo “The Barometer of Life” publicado nesta semana na revista Science e que tem entre seus autores o renomado ecologista Edward Wilson, da Universidade de Harvard. A idéia é utilizar uma rede de parcerias e assim triplicar o número de espécies que são analisadas pela Lista Vermelha, que reúne os animais em risco de extinção, produzida anualmente pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
O projeto estabeleceu 160 mil espécies representativas, de peixes a pássaros, de corais a fungos, e dessa forma pretende dar um panorama da situação atual da biodiversidade. O custo estimado para a elaboração da lista é de US$ 60 milhões. Mas “seria um dos melhores investimentos já feitos pela humanidade” esclarece o artigo.
“O quanto mais nós aprendermos sobre as espécies, mais saberemos sobre o meio ambiente que nos sustenta. Espécies ameaçadas, em especial, precisam ser identificadas para possibilitar melhores políticas de conservação”, explicou Wilson.
Atualmente, 48 mil espécies aparecem na Lista Vermelha, que custa anualmente US$ 4 milhões para ser produzida. Mas a lista é voltada a apenas alguns grupos de animais – principalmente mamíferos, pássaros e anfíbios -, e não representaria um quadro global do ecossistema. Apenas metade dos vertebrados e uma pequena proporção de plantas, invertebrados e fungos são analisados.
A maior parte do trabalho da Lista Vermelha é feita por voluntários da IUCN, a sugestão agora é ampliar essa rede de pessoas e instituições parceiras para que a lista seja mais completa.
“Nós precisamos urgentemente aumentar os esforços para catalogar nossa vasta biodiversidade, enquanto ainda podemos fazer isso. Devemos nos focar nas áreas de grande risco de extinção”, afirmou Russel Mittemeier, presidente do IUCN.
Os dados coletados serão úteis também para que empresas consigam avaliar seus impactos e ações ambientais, além de facilitar a identificação de áreas que precisem de mais recursos e atenção do setor público. “Essas informações irão ajudar os governos e comunidades a pensar em respostas apropriadas para as mudanças climáticas e outros desafios ecológicos”, disse Mittemeier.
Os pesquisadores destacam o grande custo beneficio da iniciativa. “Com apenas US$ 60 milhões, uma ninharia perto do que é gasto hoje em dia para salvar bancos ou manter guerras, podemos ter o melhor quadro já realizado sobre a saúde da biodiversidade”, resumiu Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência de Espécies da IUCN.
As 160 mil espécies sugeridas ainda é um número provisório, se a iniciativa receber apoio da comunidade internacional, a quantidade de espécies pode ficar muito maior. O “barômetro da vida” pode vir a ser o grande marco de 2010, data que a ONU escolheu como “Ano Internacional da Biodiversidade”.
via Envolverde/Carbono Brasil
Estudo de espécies de aves da região é exigência do Ibama.
Monitoramento será feito durante três anos, nos períodos de seca e chuva.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) estão em Rondônia para fazer um inventário da diversidade da fauna em áreas próximas à construção de uma hidrelétrica. O estudo é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O monitoramento será feito durante três anos, no período da seca e da chuva, para ver se há mudança de comportamento dos animais. A mata às margens do Rio Madeira é um dos três pontos onde o trabalho se concentra. Fica a 100 quilômetros do canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, uma das duas em construção em Rondônia.
Durante o estudo, pesquisadores descobriram que papagaios comem a argila na beira do rio, um fato nunca registrado por essa espécie. Outra bela surpresa agradável foi o curica de bochecha laranja, uma espécie rara da família dos papagaios.
Para fazer o inventário, são instaladas redes quase transparentes, por meio das quais as aves são capturadas. Os animais passam por uma análise detalhada e ganham uma identificação permanente.
A ave é retirada da rede com cuidado para evitar que se estresse. Dali, ela vai para a base de anilhamento, montada no meio da floresta. A espécie é identificada. Os pesquisadores pesam, medem o comprimento das asas, do bico e da calda. Depois a ave ganha uma anilha, com um número que vai acompanhá-la por toda a vida. Devidamente registradas em um banco nacional de dados, o pássaro é novamente solto na natureza.
Os pesquisadores ainda não sabem a variedade de espécies de aves da região. Nos 15 primeiros dias de trabalho, já foram identificadas 300. Isso significa que a área concentra pelo menos 20% da quantidade de espécies existentes no Brasil.
via Jornal Hoje
Monitoramento será feito durante três anos, nos períodos de seca e chuva.
O monitoramento será feito durante três anos, no período da seca e da chuva, para ver se há mudança de comportamento dos animais. A mata às margens do Rio Madeira é um dos três pontos onde o trabalho se concentra. Fica a 100 quilômetros do canteiro de obras da hidrelétrica de Jirau, uma das duas em construção em Rondônia.
Durante o estudo, pesquisadores descobriram que papagaios comem a argila na beira do rio, um fato nunca registrado por essa espécie. Outra bela surpresa agradável foi o curica de bochecha laranja, uma espécie rara da família dos papagaios.
Para fazer o inventário, são instaladas redes quase transparentes, por meio das quais as aves são capturadas. Os animais passam por uma análise detalhada e ganham uma identificação permanente.
A ave é retirada da rede com cuidado para evitar que se estresse. Dali, ela vai para a base de anilhamento, montada no meio da floresta. A espécie é identificada. Os pesquisadores pesam, medem o comprimento das asas, do bico e da calda. Depois a ave ganha uma anilha, com um número que vai acompanhá-la por toda a vida. Devidamente registradas em um banco nacional de dados, o pássaro é novamente solto na natureza.
Os pesquisadores ainda não sabem a variedade de espécies de aves da região. Nos 15 primeiros dias de trabalho, já foram identificadas 300. Isso significa que a área concentra pelo menos 20% da quantidade de espécies existentes no Brasil.
via Jornal Hoje
Depois de três anos de trabalho, pesquisadores da Embrapa Acre e da Embrapa Rondônia, unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, identificaram espécies nativas da Amazônia com maior potencial para arborização de pastagens. A pesquisa encontra-se agora na fase de sistematização de resultados. Foram utilizados como parâmetro 14 fatores de classificação, como arquitetura de copa e produção de frutos comestíveis, que permitiram o ranqueamento das melhores árvores. Especialmente em regiões quentes, como no Norte do Brasil, pesquisas mostram que o gado criado em pastagens sombreadas vive melhor, ganha peso mais rápido e produz mais leite.
A pesquisa teve início em 2007, quando foram feitas as primeiras atividades em campo. Os pesquisadores visitaram propriedades em que árvores nativas conviviam com as pastagens para coletar informações e o material botânico que permitiu a identificação precisa de cada espécie.
Um dos aspectos levados em consideração foi a arquitetura da copa. Zootecnista e pesquisadora da Embrapa Rondônia, Ana Karina Dias Salman explica que, uma boa planta para arborizar pastagens deve ao mesmo tempo oferecer sombra aos animais e permitir passagem de luz suficiente para que a gramínea não morra.
Outro aspecto importante a ser observado é a disposição das raízes. Como os animais costumam deixar sob as árvores, é importante que as raízes não sejam superficiais e expostas, o que causaria desconforto. A presença de frutos comestíveis é um ponto positivo, mas é preciso evitar as árvores com folhas ou frutos tóxicos aos animais. Tolerância a ataque de insetos e rápido crescimento também foram avaliados.
Todas essas características foram sistematizadas e as espécies ganharam uma nota de 1 a 5 por indicador. Os indicadores são utilizados para compor o Índice de Seleção Arbórea (ISA), que indica se uma planta, no final das contas, é boa ou não para arborização de pastagens.
O trabalho classificou ao todo 37 árvores. A que se mostrou mais adequada para arborização é conhecida popularmente no Acre como bordão-de-velho e em Rondônia como baginha. Entre os cientistas ela é conhecida como Samanea tubulosa, uma planta leguminosa que, além de proporcionar sombra na medida adequada, produz um fruto doce bastante apreciado pelo gado.
Serviços ambientais
Além de oferecer sombra para o gado, as árvores prestam serviços ambientais à propriedade. As raízes ajudam a reter água no solo e evitam erosão. Algumas espécies, especialmente as leguminosas, possuem a capaciade de fixar no solo, em associação com microrganismos, o nitrogênio atmosférico, cuja deficiência representa um dos principais fatores de degradação de pastagens cultivadas em regiões tropicais. Em outras palavras, além do gado, a gramínea forrageira também se beneficia com a presença das árvores.
O ranking das 37 melhores árvores nativas para arborização de pastagens deve dar origem a um guia de campo. “A ideia é que ele seja uma referência para o produtor, de modo que ele possa escolher as árvores mais adequadas para manter na pastagem”, explica a pesquisadora Ana Karina. Assim que finalizados, os resultados de pesquisa serão publicados pela Embrapa e disponibilizados à população.
fonte: Embrapa
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Cientista norte-americano diz que é preciso esforço entre governos e setor privado
Foto: Gustavo Scatena/Redação Terra
O cientista e ecólogo norte-americano, pioneiro na pesquisa da Amazônia, Thomas Lovejoy, disse nesta sexta-feira que algumas regiões da floresta amazônica podem desaparecer em pouco tempo. Ao comentar um estudo do Banco Mundial apresentado ontem, no Peru, o pesquisador afirmou que o "ponto de não-retorno está perto".
"(O processo de extinção) pode iniciar bem logo, nos próximos dez anos. Mas não é a Amazônia inteira, o Leste e o Sul são as áreas mais afetadas", disse Lovejoy, diretor do The H. John Heinz III Center for Science, Economics and the Enrironment.
O estudo abrange toda a região da floresta amazônica, não apenas a brasileira. O relatório adverte para a transformação de áreas da floresta em grandes extensões de savana, com impacto nas nações latino-americanas e caribenhas.
Para o cientista, que chefiou o comitê assessor do levantamento, ainda é possível diminuir o estrago. "O estudo indica que o ponto de retorno está perto. Mas é possível ampliar a margem de segurança com reflorestamento. Tem que haver uma política de reflorestamentos".
As afirmações foram feitas aos jornalistas depois da palestra de Lovejoy no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que está sendo realizado até amanhã em Manaus, com a presença de cerca de 300 líderes empresariais.
O cientista norte-americano falou sobre "A importância da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais". Lovejoy destacou a importância da presença "de tantos representantes do setor privado" no evento e defendeu "parcerias com o setor privado, incentivos e programas de educação e saúde" como a combinação certa para sustentabilidade.
via Terra
Lovejoy elogiou o projeto da reserva de Juma, administrada pelo Governo do Amazonas, que se dedica ao reflorestamento da região a partir de créditos pagos por empresas que emitem dióxido de carbono.
O cientista, que dirige o Centro Heinz para a Ciência, fundação que promove e divulga políticas ambientais, considerou que Manaus é "um exemplo" de como manter indústrias no meio da floresta sem prejudicar a natureza.
"A qualidade de vida das cidades próximas à floresta também é básica para a sustentabilidade", declarou Lovejoy. Segundo ele, todas as comunidades que fazem parte do entorno devem ser beneficiárias.
A aplicação de tecnologias tão simples como painéis solares e sistemas de saneamento ajudam a integrar a floresta e seus recursos naturais com as vantagens da tecnologia moderna, explicou.
No entanto, o pesquisador criticou a construção de estradas e de redes elétricas no território amazônico, especialmente as três estradas interoceânicas que atravessam a floresta e chegam até o Oceano Atlântico.
"A pergunta vai surgir mais cedo ou mais tarde: como pode o Brasil, com sua política ecológica, defender esse tipo de projeto?", perguntou.
Além do desmatamento, que já afeta 20% da superfície verde, a mudança climática também começou a afetar o Amazonas e sua diversidade biológica, tanto espécies animais como vegetais.
Em 2005, a floresta que já foi considerada "o pulmão do planeta" sofreu a maior seca de toda sua história, além de registrar um aumento periódico das temperaturas. "A mensagem é inequívoca", concluiu.
Como solução, Lovejoy propôs a criação de uma "margem de segurança" a partir do reflorestamento da floresta, lembrando que as grandes áreas verdes têm "um papel muito importante" para salvar o planeta.
O Fórum Internacional para a Sustentabilidade da Amazônia reunirá hoje e amanhã em Manaus líderes mundiais como o ex-presidente americano Al Gore, cineastas como James Cameron e empresários e representantes do Governo brasileiro.
via Terra
Pioneiro em estudos sobre a Amazônia, o pesquisador Lovejoy está no Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus. (Foto: Dennis Barbosa / Globo Amazônia)
Foto: Gustavo Scatena/Redação Terra
O cientista e ecólogo norte-americano, pioneiro na pesquisa da Amazônia, Thomas Lovejoy, disse nesta sexta-feira que algumas regiões da floresta amazônica podem desaparecer em pouco tempo. Ao comentar um estudo do Banco Mundial apresentado ontem, no Peru, o pesquisador afirmou que o "ponto de não-retorno está perto".
"(O processo de extinção) pode iniciar bem logo, nos próximos dez anos. Mas não é a Amazônia inteira, o Leste e o Sul são as áreas mais afetadas", disse Lovejoy, diretor do The H. John Heinz III Center for Science, Economics and the Enrironment.
O estudo abrange toda a região da floresta amazônica, não apenas a brasileira. O relatório adverte para a transformação de áreas da floresta em grandes extensões de savana, com impacto nas nações latino-americanas e caribenhas.
Para o cientista, que chefiou o comitê assessor do levantamento, ainda é possível diminuir o estrago. "O estudo indica que o ponto de retorno está perto. Mas é possível ampliar a margem de segurança com reflorestamento. Tem que haver uma política de reflorestamentos".
As afirmações foram feitas aos jornalistas depois da palestra de Lovejoy no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que está sendo realizado até amanhã em Manaus, com a presença de cerca de 300 líderes empresariais.
O cientista norte-americano falou sobre "A importância da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais". Lovejoy destacou a importância da presença "de tantos representantes do setor privado" no evento e defendeu "parcerias com o setor privado, incentivos e programas de educação e saúde" como a combinação certa para sustentabilidade.
via Terra
Governos e setor privado devem atuar juntos pela Amazônia, diz especialista
Os Governos e o setor privado devem trabalhar juntos para preservar a Amazônia e minimizar o impacto da mudança climática, advertiu hoje o cientista americano Thomas Lovejoy, um dos principais pesquisadores sobre a maior floresta tropical do mundo.
"A colaboração entre o Governo e o setor privado será determinante para a Amazônia", assegurou Lovejoy na abertura do Fórum Internacional para a Sustentabilidade, que começou hoje em Manaus.Lovejoy elogiou o projeto da reserva de Juma, administrada pelo Governo do Amazonas, que se dedica ao reflorestamento da região a partir de créditos pagos por empresas que emitem dióxido de carbono.
O cientista, que dirige o Centro Heinz para a Ciência, fundação que promove e divulga políticas ambientais, considerou que Manaus é "um exemplo" de como manter indústrias no meio da floresta sem prejudicar a natureza.
"A qualidade de vida das cidades próximas à floresta também é básica para a sustentabilidade", declarou Lovejoy. Segundo ele, todas as comunidades que fazem parte do entorno devem ser beneficiárias.
A aplicação de tecnologias tão simples como painéis solares e sistemas de saneamento ajudam a integrar a floresta e seus recursos naturais com as vantagens da tecnologia moderna, explicou.
No entanto, o pesquisador criticou a construção de estradas e de redes elétricas no território amazônico, especialmente as três estradas interoceânicas que atravessam a floresta e chegam até o Oceano Atlântico.
"A pergunta vai surgir mais cedo ou mais tarde: como pode o Brasil, com sua política ecológica, defender esse tipo de projeto?", perguntou.
Além do desmatamento, que já afeta 20% da superfície verde, a mudança climática também começou a afetar o Amazonas e sua diversidade biológica, tanto espécies animais como vegetais.
Em 2005, a floresta que já foi considerada "o pulmão do planeta" sofreu a maior seca de toda sua história, além de registrar um aumento periódico das temperaturas. "A mensagem é inequívoca", concluiu.
Como solução, Lovejoy propôs a criação de uma "margem de segurança" a partir do reflorestamento da floresta, lembrando que as grandes áreas verdes têm "um papel muito importante" para salvar o planeta.
O Fórum Internacional para a Sustentabilidade da Amazônia reunirá hoje e amanhã em Manaus líderes mundiais como o ex-presidente americano Al Gore, cineastas como James Cameron e empresários e representantes do Governo brasileiro.
via Terra
Thomas Lovejoy defende ‘esforço planetário’ pelo verde no mundo
Pesquisador é um dos maiores especialistas sobre a Amazônia. Em evento, ele questionou sustentabilidade de obras na região.Pioneiro em estudos sobre a Amazônia, o pesquisador Lovejoy está no Fórum Internacional de Sustentabilidade, em Manaus. (Foto: Dennis Barbosa / Globo Amazônia)
O pesquisador americano Thomas Lovejoy, conservacionista que realizou estudos pioneiros sobre a floresta amazônica, defendeu nesta sexta-feira (26), em Manaus, um “esforço planetário para voltar a enverdecer o planeta”. O colunista do Globo Amazônia fez apresentação no Fórum Internacional de Sustentabilidade, que reúne empresários para discutir o meio ambiente e, em especial, a importância da maior floresta tropical do mundo.
Ao mesmo tempo em que ressaltou o papel-chave da Amazônia para a estabilidade do clima global, Lovejoy levantou questionamentos em relação às intervenções humanas na floresta – como por exemplo, a necessidade de construção de estradas que podem servir de vetores de desmatamento na região. “A rodovia Transoceânica está levando ao surgimento de garimpo ilegal na Amazônia peruana”, exemplificou.
Ele explicou que, antes de se abrirem novas rodovias, é importante avaliar a possibilidade de uso de outros modais de transporte, como, no caso da Amazônia, da hidrovia. Lovejoy também mostrou que, para chegar ao mercado do Sudeste, a energia das usinas hidrelétricas em construção no Rio Madeira terá de percorrer as mais longas linhas de transmissão de alta voltagem já construídas.
Lovejoy alerta para o problema da fragmentação da floresta – o desmatamento parcial que deixa pedaços de mata em meio a pastos e plantações. Suas pesquisas mostraram que estes fragmentos não
conservam a biodiversidade da mesma forma que grandes extensões contínuas de floresta. Uma área de 1km², cita, perde, em 15 anos, metade das espécies de pássaros que vivem sob o dossel da floresta.
Ao mesmo tempo em que destacou como a ação do homem pode ser prejudicial, Lovejoy cita também iniciativas que considera positivas para a floresta, como a criação de reservas. Ao mostrar um mapa da atual quantidade de áreas protegidas existentes na região, comentou: “É extraordinário. É algo de que não se poderia sonhar quando coloquei os pés pela primeira vez na Amazônia, em 1965”. A porção de florestas em reservas aumentou consideravelmente desde então, quando praticamente não havia unidades de conservação.
Lovejoy defendeu que é possível reverter o processo de emissão de gases causadores do efeito estufa e que a Amazônia pode ser parte disto. Ele citou como exemplo projetos pioneiros de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), como Mamirauá e Juma, ambos no Amazonas. O último é apoiado por uma rede internacional de hotéis que destina US$ 1 por quarto alugado para a conservação da floresta.
via O Globo
conservam a biodiversidade da mesma forma que grandes extensões contínuas de floresta. Uma área de 1km², cita, perde, em 15 anos, metade das espécies de pássaros que vivem sob o dossel da floresta.
Iniciativas positivas
Ao mesmo tempo em que destacou como a ação do homem pode ser prejudicial, Lovejoy cita também iniciativas que considera positivas para a floresta, como a criação de reservas. Ao mostrar um mapa da atual quantidade de áreas protegidas existentes na região, comentou: “É extraordinário. É algo de que não se poderia sonhar quando coloquei os pés pela primeira vez na Amazônia, em 1965”. A porção de florestas em reservas aumentou consideravelmente desde então, quando praticamente não havia unidades de conservação.
Lovejoy defendeu que é possível reverter o processo de emissão de gases causadores do efeito estufa e que a Amazônia pode ser parte disto. Ele citou como exemplo projetos pioneiros de Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação), como Mamirauá e Juma, ambos no Amazonas. O último é apoiado por uma rede internacional de hotéis que destina US$ 1 por quarto alugado para a conservação da floresta.
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Moradores fazem reunião para discutir zoneamento em área da reserva extrativista de Cururupu, na região costeira do Maranhão. (Foto: Alex Reis/ ICMBio/ Divulgação)
Após pelo menos dez anos de espera, cerca de 30 mil famílias que vivem em Reservas Extrativistas Federais na costa marinha do Pará e do Maranhão tiveram a presença sobre suas terras assegurada por meio da assinatura de contratos de concessão de direito real de uso, realizada em evento na manhã desta terça-feira (23), em Brasília.
Este tipo de contrato para comunidades tradicionais em reservas está previsto na legislação brasileira desde a sanção da Lei 9.958, de julho de 2000, mais conhecida como Lei do Snuc, por ter instituído o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Antes desta lei, populações já reivindicavam o direito de uso sobre as terras desde a criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, em 1990.
O novo acordo aumenta de 2 para 11 o número de reservas extrativistas que têm esse tipo de contrato, considerado fundamental para garantir o direito da população sobre a terra. Até agora, só a Chico Mendes e a Alto Juruá, também no Acre, haviam conseguido os contratos, pouco depois do surgimento da Lei do Snuc.
Em Tracateua, no Pará, o caranguejo Uçá é consumido pela comunidade tradicional. (Foto: ICMBio/ Divulgação)
O reconhecimento de direitos sobre a terra é importante para a proteção das áreas naturais porque a criação de reservas extravisitas visa a conservar meios de subsistência e da cultura da população, além de promover o uso sustentável dos recursos da unidade. Entre a costa do Pará e do Maranhão, as comunidades se espalham por manguezais, áreas marinhas, espelhos d'água e ilhas federais da Amazônia Legal. Ao todo, elas equivalem a uma área de 431 mil hectares, território quase três vezes maior do que o do município de São Paulo.
Uma família que vive na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, também teve o contrato de concessão de direito real de uso assinado nesta terça-feira em Brasília. Segundo o Coordenador Geral de Populações Tradicionais do ICMBio, Daniel Penteado, esta foi a primeira vez em que um contrato do gênero foi firmado para uma floresta nacional. "Além do Jamari, existem no Brasil outras
17 florestas nacionais em que vivem comunidades tradicionais. A partir deste primeiro contrato, a gente tem plena convicção de que vai conseguir fazer a mesma coisa para todas elas", diz Penteado.
Apesar da assinatura dos contratos de hoje em Brasília, o país ainda tem, além das 17 florestas nacionais, outras 48 reservas extrativistas e uma reserva de desenvolvimento sustentável sem contratos. "Vale lembrar que o contrato não significa que a regularização fundiária da unidade está completa. É uma parte. Mas quando existe propriedade particular na região, é preciso indenizar o proprietário e retirá-lo de lá. Os contratos representam uma pressão a mais para os proprietários saírem das áreas", explica Penteado.
Segundo Penteado, ainda existem no Brasil casos de conflitos entre populações tradicionais e proprietários particulares em áreas de reserva extrativista. O caso mais crítico no país fica na região do cerrado. "Na Amazônia, também há pessoas com grande poder econômico que tentam manter suas áreas em reservas. O caso mais grande é o da reserva extrativista Verde Para Sempre, no Pará."
Ainda durante o evento, o Incra e o ICMBio assinaram portaria conjunta abrangendo todo o território brasileiro. A medida visa a transferir áreas do Incra localizadas dentro de Unidades de Conservação Federal para o ICMBio, o que possibilitaria regularizar a situação fundiária de populações tradicionais nesse lugares.
O encontro contou com a presença de autoridades como o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, o presidente do Incra Rolf Hackbart e o presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais, Ronaldo Garcia.
via Portal Amazônia
Após pelo menos dez anos de espera, cerca de 30 mil famílias que vivem em Reservas Extrativistas Federais na costa marinha do Pará e do Maranhão tiveram a presença sobre suas terras assegurada por meio da assinatura de contratos de concessão de direito real de uso, realizada em evento na manhã desta terça-feira (23), em Brasília.
Este tipo de contrato para comunidades tradicionais em reservas está previsto na legislação brasileira desde a sanção da Lei 9.958, de julho de 2000, mais conhecida como Lei do Snuc, por ter instituído o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Antes desta lei, populações já reivindicavam o direito de uso sobre as terras desde a criação da Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre, em 1990.
O novo acordo aumenta de 2 para 11 o número de reservas extrativistas que têm esse tipo de contrato, considerado fundamental para garantir o direito da população sobre a terra. Até agora, só a Chico Mendes e a Alto Juruá, também no Acre, haviam conseguido os contratos, pouco depois do surgimento da Lei do Snuc.
Em Tracateua, no Pará, o caranguejo Uçá é consumido pela comunidade tradicional. (Foto: ICMBio/ Divulgação)
O reconhecimento de direitos sobre a terra é importante para a proteção das áreas naturais porque a criação de reservas extravisitas visa a conservar meios de subsistência e da cultura da população, além de promover o uso sustentável dos recursos da unidade. Entre a costa do Pará e do Maranhão, as comunidades se espalham por manguezais, áreas marinhas, espelhos d'água e ilhas federais da Amazônia Legal. Ao todo, elas equivalem a uma área de 431 mil hectares, território quase três vezes maior do que o do município de São Paulo.
Inédito
Uma família que vive na Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia, também teve o contrato de concessão de direito real de uso assinado nesta terça-feira em Brasília. Segundo o Coordenador Geral de Populações Tradicionais do ICMBio, Daniel Penteado, esta foi a primeira vez em que um contrato do gênero foi firmado para uma floresta nacional. "Além do Jamari, existem no Brasil outras
17 florestas nacionais em que vivem comunidades tradicionais. A partir deste primeiro contrato, a gente tem plena convicção de que vai conseguir fazer a mesma coisa para todas elas", diz Penteado.
Apesar da assinatura dos contratos de hoje em Brasília, o país ainda tem, além das 17 florestas nacionais, outras 48 reservas extrativistas e uma reserva de desenvolvimento sustentável sem contratos. "Vale lembrar que o contrato não significa que a regularização fundiária da unidade está completa. É uma parte. Mas quando existe propriedade particular na região, é preciso indenizar o proprietário e retirá-lo de lá. Os contratos representam uma pressão a mais para os proprietários saírem das áreas", explica Penteado.
Segundo Penteado, ainda existem no Brasil casos de conflitos entre populações tradicionais e proprietários particulares em áreas de reserva extrativista. O caso mais crítico no país fica na região do cerrado. "Na Amazônia, também há pessoas com grande poder econômico que tentam manter suas áreas em reservas. O caso mais grande é o da reserva extrativista Verde Para Sempre, no Pará."
Ainda durante o evento, o Incra e o ICMBio assinaram portaria conjunta abrangendo todo o território brasileiro. A medida visa a transferir áreas do Incra localizadas dentro de Unidades de Conservação Federal para o ICMBio, o que possibilitaria regularizar a situação fundiária de populações tradicionais nesse lugares.
O encontro contou com a presença de autoridades como o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, o presidente do Incra Rolf Hackbart e o presidente da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Povos e Comunidades Tradicionais, Ronaldo Garcia.
via Portal Amazônia
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The first systematic study of surveillance techniques for the insect vector of Chagas disease in Amazonia, conducted by researchers from the Fiocruz Instituto Leônidas e Maria Deane, the Smithsonian Tropical Research Institute, the London School of Hygiene and Tropical Medicine and colleagues, concludes that tall palm trees with large amounts of debris on their crowns and stems should be targets for disease surveillance and control.
Chagas disease, caused by a parasite transmitted by blood-sucking bugs, results in severe heart, digestive and neurological lesions. Chagas disease is endemic in Latin America where Trypanosoma cruzi infects about 7.5 million people. "The burden of Chagas disease in the Latin American-Caribbean region is still consistently larger than the combined burden of malaria, leprosy, the leishmaniases, lymphatic filariasis, onchocerciasis, schistosomiasis, viral hepatitides B and C, dengue, and the major intestinal nematode infections," write the authors of the study, published Mar. 2, 2010 in the open-access journal, PLoS Neglected Tropical Diseases.
The insect vectors of Chagas disease, triatomine bugs, usually infest low quality housing in rural and peri-urban areas. While increasing the chances of transmission to residents, their domestic habits make control easier to achieve. Huge insecticide-spraying campaigns have halted T. cruzi transmission in vast areas of South and Central America.
However, in Amazonia, where there are at least 100,000 infected people, insecticide-based control is not feasible because the insects seldom breed within houses. Most transmission occurs when triatomine bugs emerge from their natural habitats--usually palm trees--and fly into houses, attack rural workers or contaminate food or food-processing equipment.
Ascertaining whether a palm tree is infested is problematic. The small, cryptically-colored bugs easily go undetected. The authors asked whether all palms are equally likely to harbor triatomine bug colonies -- while explicitly acknowledging that no detection technique works perfectly. Then, they determined whether palm infestation rates were associated with environmental differences at the regional, landscape, or individual palm tree level. Their study also asked whether palm tree management could lower palm infestation rates.
Building upon analytical methods recently developed by wildlife biologists, the study emphasizes that a disease vector is not necessarily absent from a site where it was not detected during a survey. Such 'detection failures' are pervasive -- a feature that is inherent to all vector studies. The robust methodology described in this paper is generally suited for investigating vector occurrence and ecology when detection is imperfect.
Based upon this study, vector surveillance teams can now draw upon clearly defined detection criteria. Surveillance teams should consider the circumstances at the origin of a disease outbreak or an isolated acute case. A 'high-risk' palm tree will very likely be found near the residence of the patients or near an unprotected fruit press used to prepare contaminated juice. These recommendations are consistent across different Amazon sub-regions and landscapes. Finally, the study suggests that simple environmental management practices, such as removing organic debris from the crowns and stems of peri-domestic palms, may substantially reduce the risk of vector-human contact.
Chagas disease surveillance focuses on palms, undercover bugs in ScienceDaily (Mar. 23, 2010)
Cf. também:
Fernando Abad-Franch, Gonçalo Ferraz, Ciro Campos, Francisco S. Palomeque, Mario J. Grijalva, H. Marcelo Aguilar, Michael A. Miles. Modeling disease vector occurance when detection is imperfect: infestation of Amazonian palm trees by triatomine bugs at three spatial scales. PLoS Neglected Tropical Diseases, 2010; DOI: 10.1371/journal.pntd.0000620
16-03-2010 - Primeira tentativa de definir o objeto da vigilância entomológica para a prevenção da doença de Chagas na Amazônia
Presente em pelo menos 7,5 milhões de pessoas na América Latina, a doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasito Trypanosoma cruzi , transmitido pelos triatomíneos ou 'barbeiros' que, na Amazônia, costumam infestar palmeiras, em área de floresta, e voar para os domicílios, atacando trabalhadores extrativistas ou contaminando alimentos e máquinas destinadas à produção dos mesmos, como as batedeiras de açaí. Para encontrar meios de prevenir a doença, os pesquisadores Fernando Abad-Franch e Gonçalo Ferraz do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD), unidade da Fiocruz na Amazônia, em parceria com o Smithsonian Tropical Research Institute e a London School of Hygiene and Tropical Medicine desenvolveram um estudo que apresenta a primeira tentativa sistemática de definir o objeto da vigilância entomológica, a fim de melhorar as atividades de pesquisa e de vigilância de insetos vetores de doenças transmissíveis, reduzindo o risco de infecção no nível local.
No artigo Modeling Disease Vector Occurrence when Detection Is Imperfect: Infestation of Amazonian Palm Trees by Triatomine Bugs at Three Spatial Scales, publicado recentemente na revista PLoS Neglected Tropical Diseases, os autores questionam se todas as palmeiras têm as mesmas probabilidades de abrigar colônias de triatomíneos; investigam se as variações nas taxas de infestação de palmeiras estão associadas a diferenças ambientais nas escalas regional, da paisagem, ou das palmeiras individuais; e avaliam a possibilidade de reduzir as taxas de infestação de palmeiras por meio de intervenções de manejo ambiental.
Em síntese, o estudo apresenta uma proposta metodológica geral para melhorar as atividades de pesquisa e de vigilância de insetos vetores de doenças transmissíveis e senta as bases para a vigilância dos vetores da doença de Chagas na Amazônia, abrindo um novo caminho para a redução do risco de contato homem-vetor. Também mostra que as palmeiras preferidas por estes barbeiros, geralmente, são as de grande porte e muito 'sujas' (com muita matéria vegetal morta acumulada na copa) e que o simples procedimento de retirada da matéria vegetal (palha, folhas secas, plantas trepadeiras) da copa das palmeiras situadas perto das moradias pode ajudar a reduzir o risco de transmissão da doença.
via Instituto Leônidas e Maria Deane - Fiocruz Amazônia
NOTA: A versão online do artigo está disponível no link http://www.plosntds.org/article/info:doi/10.1371/journal.pntd.0000620
Chagas disease, caused by a parasite transmitted by blood-sucking bugs, results in severe heart, digestive and neurological lesions. Chagas disease is endemic in Latin America where Trypanosoma cruzi infects about 7.5 million people. "The burden of Chagas disease in the Latin American-Caribbean region is still consistently larger than the combined burden of malaria, leprosy, the leishmaniases, lymphatic filariasis, onchocerciasis, schistosomiasis, viral hepatitides B and C, dengue, and the major intestinal nematode infections," write the authors of the study, published Mar. 2, 2010 in the open-access journal, PLoS Neglected Tropical Diseases.
The insect vectors of Chagas disease, triatomine bugs, usually infest low quality housing in rural and peri-urban areas. While increasing the chances of transmission to residents, their domestic habits make control easier to achieve. Huge insecticide-spraying campaigns have halted T. cruzi transmission in vast areas of South and Central America.
However, in Amazonia, where there are at least 100,000 infected people, insecticide-based control is not feasible because the insects seldom breed within houses. Most transmission occurs when triatomine bugs emerge from their natural habitats--usually palm trees--and fly into houses, attack rural workers or contaminate food or food-processing equipment.
Ascertaining whether a palm tree is infested is problematic. The small, cryptically-colored bugs easily go undetected. The authors asked whether all palms are equally likely to harbor triatomine bug colonies -- while explicitly acknowledging that no detection technique works perfectly. Then, they determined whether palm infestation rates were associated with environmental differences at the regional, landscape, or individual palm tree level. Their study also asked whether palm tree management could lower palm infestation rates.
Building upon analytical methods recently developed by wildlife biologists, the study emphasizes that a disease vector is not necessarily absent from a site where it was not detected during a survey. Such 'detection failures' are pervasive -- a feature that is inherent to all vector studies. The robust methodology described in this paper is generally suited for investigating vector occurrence and ecology when detection is imperfect.
Based upon this study, vector surveillance teams can now draw upon clearly defined detection criteria. Surveillance teams should consider the circumstances at the origin of a disease outbreak or an isolated acute case. A 'high-risk' palm tree will very likely be found near the residence of the patients or near an unprotected fruit press used to prepare contaminated juice. These recommendations are consistent across different Amazon sub-regions and landscapes. Finally, the study suggests that simple environmental management practices, such as removing organic debris from the crowns and stems of peri-domestic palms, may substantially reduce the risk of vector-human contact.
Chagas disease surveillance focuses on palms, undercover bugs in ScienceDaily (Mar. 23, 2010)
Cf. também:
Fernando Abad-Franch, Gonçalo Ferraz, Ciro Campos, Francisco S. Palomeque, Mario J. Grijalva, H. Marcelo Aguilar, Michael A. Miles. Modeling disease vector occurance when detection is imperfect: infestation of Amazonian palm trees by triatomine bugs at three spatial scales. PLoS Neglected Tropical Diseases, 2010; DOI: 10.1371/journal.pntd.0000620
(...)
16-03-2010 - Primeira tentativa de definir o objeto da vigilância entomológica para a prevenção da doença de Chagas na Amazônia
Presente em pelo menos 7,5 milhões de pessoas na América Latina, a doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasito Trypanosoma cruzi , transmitido pelos triatomíneos ou 'barbeiros' que, na Amazônia, costumam infestar palmeiras, em área de floresta, e voar para os domicílios, atacando trabalhadores extrativistas ou contaminando alimentos e máquinas destinadas à produção dos mesmos, como as batedeiras de açaí. Para encontrar meios de prevenir a doença, os pesquisadores Fernando Abad-Franch e Gonçalo Ferraz do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD), unidade da Fiocruz na Amazônia, em parceria com o Smithsonian Tropical Research Institute e a London School of Hygiene and Tropical Medicine desenvolveram um estudo que apresenta a primeira tentativa sistemática de definir o objeto da vigilância entomológica, a fim de melhorar as atividades de pesquisa e de vigilância de insetos vetores de doenças transmissíveis, reduzindo o risco de infecção no nível local.No artigo Modeling Disease Vector Occurrence when Detection Is Imperfect: Infestation of Amazonian Palm Trees by Triatomine Bugs at Three Spatial Scales, publicado recentemente na revista PLoS Neglected Tropical Diseases, os autores questionam se todas as palmeiras têm as mesmas probabilidades de abrigar colônias de triatomíneos; investigam se as variações nas taxas de infestação de palmeiras estão associadas a diferenças ambientais nas escalas regional, da paisagem, ou das palmeiras individuais; e avaliam a possibilidade de reduzir as taxas de infestação de palmeiras por meio de intervenções de manejo ambiental.
Em síntese, o estudo apresenta uma proposta metodológica geral para melhorar as atividades de pesquisa e de vigilância de insetos vetores de doenças transmissíveis e senta as bases para a vigilância dos vetores da doença de Chagas na Amazônia, abrindo um novo caminho para a redução do risco de contato homem-vetor. Também mostra que as palmeiras preferidas por estes barbeiros, geralmente, são as de grande porte e muito 'sujas' (com muita matéria vegetal morta acumulada na copa) e que o simples procedimento de retirada da matéria vegetal (palha, folhas secas, plantas trepadeiras) da copa das palmeiras situadas perto das moradias pode ajudar a reduzir o risco de transmissão da doença.
via Instituto Leônidas e Maria Deane - Fiocruz Amazônia
NOTA: A versão online do artigo está disponível no link http://www.plosntds.org/article/info:doi/10.1371/journal.pntd.0000620
Proposta brasileira de inclusão da árvore, ameaçada de extinção, em lista de produtos controlados é aceita por unanimidade em Doha
18 de março de 2010 | 0h 00
Uma proposta brasileira para incluir o pau-rosa na lista de produtos controlados pela Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora (Cites) foi aprovada ontem em Doha, no Catar, em uma conferência de 175 países.
O pau-rosa é uma árvore da Amazônia ameaçada de extinção, cujo óleo é usado como essência na formulação de vários perfumes na Europa e nos Estados Unidos, entre eles o famoso Chanel N.º 5.
A espécie entrará para o Anexo 2 da convenção, o que significa que todos os processos de exportação e importação do óleo passarão a ser monitorados e certificados de acordo com padrões internacionais de sustentabilidade estabelecidos pela Cites. A proposta ainda precisa ser votada na plenária final da conferência, no dia 25. Mas já foi aprovada em votação simbólica ontem, segundo informou ao Estado o diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama, José Humberto Chaves.
"Foi uma votação unânime", disse Chaves, que faz parte da delegação brasileira em Doha. "A chance de (a proposta) não ser aprovada é praticamente nula."
O Brasil é o único produtor de óleo de pau-rosa. A exploração começou na década de 1920, e o produto chegou a ser o terceiro colocado na pauta de exportações da Amazônia, atrás da borracha e da castanha. Nos anos 1960, a produção chegou a 500 toneladas/ano, mas declinou com a chegada de uma versão sintética do linalol (principal substância aromática do pau-rosa) e da descoberta de outras espécies com essências semelhantes.
O que mais afetou a indústria, porém, não foi a concorrência comercial, mas o extermínio de sua matéria-prima. Para extrair o óleo essencial de pau-rosa é preciso derrubar a árvore, picotar seu tronco e fervê-lo numa caldeira, para que o óleo evapore com a água e condense - técnica chamada "arraste a vapor". Para obter 10 quilos de óleo, consome-se 1 tonelada de madeira.
A espécie foi predada de tal forma que começou a ficar rara. No Pará, praticamente não existe mais, segundo o especialista Paulo Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A produção, que hoje não chega a 10 toneladas/ano, ficou restrita ao Amazonas. E, mesmo lá, é preciso ir cada vez mais longe para encontrar uma árvore.
O pau-rosa, então, entrou para as listas de espécies ameaçadas do Ibama e da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN).
A espécie pode ser plantada, mas a maior parte da produção ainda provém do extrativismo - ou seja, de árvores da natureza.
O químico Lauro Barata, da Universidade Estadual de Campinas, apoia a inclusão do pau-rosa na Cites, mas teme que para salvar a espécie seja preciso exterminar o que resta da indústria do óleo. "O preço vai subir muito, sem dúvida. A indústria já definhou e vai definhar mais ainda." Ele desenvolve uma técnica que permite extrair óleo essencial dos galhos e folhas da árvore, sem precisar cortá-la, e com características muito semelhantes ao óleo da madeira.
Já Chaves, do Ibama, aposta que a inclusão na Cites fortalecerá a indústria certificada, diminuindo a concorrência com produtores clandestinos. "O maior problema do pau-rosa é a exploração ilegal", diz. "Quem quiser trabalhar com o plantio, dentro da lei, será beneficiado."
Um levantamento feito pelo Ibama, segundo ele, revelou que o volume exportado de óleo de pau-rosa entre 2003 e 2008 foi 500% maior do que o volume que havia sido autorizado pelo instituto. "Acho que o futuro da indústria é mesmo o plantio, com produção de óleo das folhas e galhos", opina também Sampaio, do Inpa.
Por ser um produto de difícil obtenção - e, portanto, caro -, a essência do pau-rosa é usada principalmente pela indústria de perfumes finos. O linalol sintético continua no mercado, mas compará-lo ao óleo do pau-rosa, segundo Barata, "é como comparar o som de uma rabeca ao de uma orquestra sinfônica".
PARA ENTENDER
1.O que é a Cites?A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora é um acordo internacional, com 175 países signatários, que regulamenta e supervisiona a exportação e importação de espécies ou produtos da biodiversidade em risco de extinção.
2.O que são os Anexos?
A Cites organiza as espécies em três listas. O Anexo 3 inclui controles regionais. O Anexo 2 impõe restrições globais. O Anexo 1 impõe moratória total ao comércio da espécie. É o caso do tigre e das tartarugas marinhas.
3.O que é a conferência de Doha?
A cada três anos há uma Conferência das Partes (COP), que reúne todos os países da Cites. A reunião de Doha é a COP 15, de 13 a 25 deste mês.
OUTRAS ESPÉCIES
Pau-brasil
A proposta de incluir o pau-rosa no Anexo 2 é a segunda apresentada pelo País. A primeira foi para o pau-brasil, em 2007, que também entrou para o Anexo 2. Mas nenhum certificado de exportação foi emitido, pois o uso da espécie é restrito à produção de arcos de violino, com madeira obtida antes de 2007.
Mogno
O tema mais polêmico enfrentado pelo Brasil na Cites foi a proposta de inclusão do mogno no Anexo 2, apresentada pelos EUA e pela Bolívia em 1997. O Brasil, que já impunha restrições domésticas à exploração da espécie, foi contra. O mogno ficou no Anexo 3 até 2002, quando foi elevado para o Anexo 2.
O pau-rosa é uma árvore da Amazônia ameaçada de extinção, cujo óleo é usado como essência na formulação de vários perfumes na Europa e nos Estados Unidos, entre eles o famoso Chanel N.º 5.
A espécie entrará para o Anexo 2 da convenção, o que significa que todos os processos de exportação e importação do óleo passarão a ser monitorados e certificados de acordo com padrões internacionais de sustentabilidade estabelecidos pela Cites. A proposta ainda precisa ser votada na plenária final da conferência, no dia 25. Mas já foi aprovada em votação simbólica ontem, segundo informou ao Estado o diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama, José Humberto Chaves.
"Foi uma votação unânime", disse Chaves, que faz parte da delegação brasileira em Doha. "A chance de (a proposta) não ser aprovada é praticamente nula."
O Brasil é o único produtor de óleo de pau-rosa. A exploração começou na década de 1920, e o produto chegou a ser o terceiro colocado na pauta de exportações da Amazônia, atrás da borracha e da castanha. Nos anos 1960, a produção chegou a 500 toneladas/ano, mas declinou com a chegada de uma versão sintética do linalol (principal substância aromática do pau-rosa) e da descoberta de outras espécies com essências semelhantes.
O que mais afetou a indústria, porém, não foi a concorrência comercial, mas o extermínio de sua matéria-prima. Para extrair o óleo essencial de pau-rosa é preciso derrubar a árvore, picotar seu tronco e fervê-lo numa caldeira, para que o óleo evapore com a água e condense - técnica chamada "arraste a vapor". Para obter 10 quilos de óleo, consome-se 1 tonelada de madeira.
A espécie foi predada de tal forma que começou a ficar rara. No Pará, praticamente não existe mais, segundo o especialista Paulo Sampaio, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). A produção, que hoje não chega a 10 toneladas/ano, ficou restrita ao Amazonas. E, mesmo lá, é preciso ir cada vez mais longe para encontrar uma árvore.
O pau-rosa, então, entrou para as listas de espécies ameaçadas do Ibama e da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN).
A espécie pode ser plantada, mas a maior parte da produção ainda provém do extrativismo - ou seja, de árvores da natureza.
O químico Lauro Barata, da Universidade Estadual de Campinas, apoia a inclusão do pau-rosa na Cites, mas teme que para salvar a espécie seja preciso exterminar o que resta da indústria do óleo. "O preço vai subir muito, sem dúvida. A indústria já definhou e vai definhar mais ainda." Ele desenvolve uma técnica que permite extrair óleo essencial dos galhos e folhas da árvore, sem precisar cortá-la, e com características muito semelhantes ao óleo da madeira.
Já Chaves, do Ibama, aposta que a inclusão na Cites fortalecerá a indústria certificada, diminuindo a concorrência com produtores clandestinos. "O maior problema do pau-rosa é a exploração ilegal", diz. "Quem quiser trabalhar com o plantio, dentro da lei, será beneficiado."
Um levantamento feito pelo Ibama, segundo ele, revelou que o volume exportado de óleo de pau-rosa entre 2003 e 2008 foi 500% maior do que o volume que havia sido autorizado pelo instituto. "Acho que o futuro da indústria é mesmo o plantio, com produção de óleo das folhas e galhos", opina também Sampaio, do Inpa.
Por ser um produto de difícil obtenção - e, portanto, caro -, a essência do pau-rosa é usada principalmente pela indústria de perfumes finos. O linalol sintético continua no mercado, mas compará-lo ao óleo do pau-rosa, segundo Barata, "é como comparar o som de uma rabeca ao de uma orquestra sinfônica".
PARA ENTENDER
1.O que é a Cites?A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora é um acordo internacional, com 175 países signatários, que regulamenta e supervisiona a exportação e importação de espécies ou produtos da biodiversidade em risco de extinção.
2.O que são os Anexos?
A Cites organiza as espécies em três listas. O Anexo 3 inclui controles regionais. O Anexo 2 impõe restrições globais. O Anexo 1 impõe moratória total ao comércio da espécie. É o caso do tigre e das tartarugas marinhas.
3.O que é a conferência de Doha?
A cada três anos há uma Conferência das Partes (COP), que reúne todos os países da Cites. A reunião de Doha é a COP 15, de 13 a 25 deste mês.
OUTRAS ESPÉCIES
Pau-brasil
A proposta de incluir o pau-rosa no Anexo 2 é a segunda apresentada pelo País. A primeira foi para o pau-brasil, em 2007, que também entrou para o Anexo 2. Mas nenhum certificado de exportação foi emitido, pois o uso da espécie é restrito à produção de arcos de violino, com madeira obtida antes de 2007.
Mogno
O tema mais polêmico enfrentado pelo Brasil na Cites foi a proposta de inclusão do mogno no Anexo 2, apresentada pelos EUA e pela Bolívia em 1997. O Brasil, que já impunha restrições domésticas à exploração da espécie, foi contra. O mogno ficou no Anexo 3 até 2002, quando foi elevado para o Anexo 2.
via Estadão
O futuro do atum vermelho discute-se esta quinta-feira em Doha, a capital do Qatar, onde decorre a CITES, Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres.
Representantes de cerca de 150 países analisam a aprovação, ou não, da proposta do Mónaco, para proibir a pesca desta espécie do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, que está ameaçada.
Em Espanha, um dos principais pescadores de atum em conjunto com França e Itália, a proposta é vista com algum nervosismo.
Na região da Andaluzia, os pescadores falam na possibilidade de se perder uma tradição centenárial.
“Um desastre completo. Há 36 anos que faço isto. Tenho 52 e dedico-me a isto desde criança. Nem consigo pensar. Vamos lutar para manter o que temos porque não há mais nada. Para onde é que vamos?”, perguntou Joaquin Pachego, responsável por um barco de pesca.
Agustin Rivera, também pescador, acrescenta: “A verdade é que há muita incerteza entre os meus colegas, porque o nosso futuro vai ser decidido em Doha. Esperamos que eles parem com as frotas industriais e deixem os pescadores tradicionais continuarem porque fomos nós quem menos prejudicou a espécie”.
O Japão consome aproximadamente 80 por cento da pesca mundial da espécie.
O atum é normalmente usado no sushi e sashimi.
A Turquia, um país pesqueiro, também trabalha contra esta proposta, bem como a China.
Até o momento, o Mónaco conta com o apoio de Estados Unidos, Noruega, Suíça, Colômbia, Costa Rica, Equador e Sérvia. Mas, segundo fontes europeias, Canadá, Austrália e Brasil vão-se abster.
Segundo dados da CITES, as reservas de atum vermelho, no Mediterrâneo e Atlântico, caíram em 80 por cento em quatro décadas.
O atum vermelho é a maior das várias espécies de atum e alguns exemplares, já raros, podem atingir os quatro metros e cerca de 700 quilos.
Representantes de cerca de 150 países analisam a aprovação, ou não, da proposta do Mónaco, para proibir a pesca desta espécie do Atlântico Oriental e do Mediterrâneo, que está ameaçada.
Em Espanha, um dos principais pescadores de atum em conjunto com França e Itália, a proposta é vista com algum nervosismo.
Na região da Andaluzia, os pescadores falam na possibilidade de se perder uma tradição centenárial.
“Um desastre completo. Há 36 anos que faço isto. Tenho 52 e dedico-me a isto desde criança. Nem consigo pensar. Vamos lutar para manter o que temos porque não há mais nada. Para onde é que vamos?”, perguntou Joaquin Pachego, responsável por um barco de pesca.
Agustin Rivera, também pescador, acrescenta: “A verdade é que há muita incerteza entre os meus colegas, porque o nosso futuro vai ser decidido em Doha. Esperamos que eles parem com as frotas industriais e deixem os pescadores tradicionais continuarem porque fomos nós quem menos prejudicou a espécie”.
O Japão consome aproximadamente 80 por cento da pesca mundial da espécie.
O atum é normalmente usado no sushi e sashimi.
A Turquia, um país pesqueiro, também trabalha contra esta proposta, bem como a China.
Até o momento, o Mónaco conta com o apoio de Estados Unidos, Noruega, Suíça, Colômbia, Costa Rica, Equador e Sérvia. Mas, segundo fontes europeias, Canadá, Austrália e Brasil vão-se abster.
Segundo dados da CITES, as reservas de atum vermelho, no Mediterrâneo e Atlântico, caíram em 80 por cento em quatro décadas.
O atum vermelho é a maior das várias espécies de atum e alguns exemplares, já raros, podem atingir os quatro metros e cerca de 700 quilos.
Cf. também:
Atum-vermelho deve ser um dos principais causadores de polêmica na conferência da Cites. (Foto: Adulau/Creative Commons)
Reunião internacional discute proteção a espécies ameaçadas
Brasil vai propor medida para o pau-rosa, presente na região amazônica.Pesca do atum-vermelho deve ser o tema mais polêmico.
13/03/10
Os 175 membros da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites, na sigla em inglês), reúnem-se a partir deste sábado (12) em Doha, no Catar, para negociar novas medidas de proteção à biodiversidade, e a expectativa é de que os 13 dias do evento sejam marcados por polêmica entre os participantes.
O Brasil também estará representado, e deve propor maior proteção à espécie Aniba rosaeodora Ducke, conhecida como pau-rosa. A proposta é que a variedade seja incluída no Apêndice II da convenção, destinado a espécies que não estão ainda com alto risco de extinção, mas que podem vir a correr perigo se não houver maior controle sobre seu comércio.
Trata-se de uma árvore de grande porte que pode atingir até 30 metros de altura e é procurada pela qualidade de seu óleo, utilizado como fixador de perfumes.
O pau-rosa vem tendo suas populações naturais nos estados do Pará, do Amapá e em grande parte do estado do Amazonas, reduzidas por causa da intensa exploração, a regeneração lenta e o comércio externo, argumentará o Brasil na conferência, segundo informações do Ministério do Meio Ambiente.
Atum
Além do atum-vermelho, pescado para fazer sushi, os elefantes perseguidos pelo marfim e a criação de tigres na China para a medicina tradicional encabeçam a agenda da conferência.
Apesar das cotas impostas pelos próprios produtores, a pesca intensiva tem reduzido consideravelmente as reservas de atum, fazendo-as despencar em até 80% no Mar Mediterrâneo e no Atlântico Ocidental desde 1970.
Graças a Mônaco, Estados Unidos e União Europeia (UE), cresce a pressão para que este peixe seja incluído no Apêndice I da lista da Cites (este sim, voltado para as espécies mais ameaçadas), somando-o a animais célebres, como o gorila-das-montanhas e o leopardo-da-neve. A indústria pesqueira tem sido responsável por manter reservas de atum vermelho desde os anos 60. Ainda assim, as populações desta espécie têm caído ano a ano.
Japão
O Japão, o principal mercado do atum-vermelho, se opõe radicalmente à sua proibição e está tratando de bloquear os dois terços de votos necessários para que a proposta seja aprovada. O país também ameaçou ignorar a proibição, caso ela passe.
Outras espécies marinhas terão eventual inclusão no Apêndice II estudada. Estas abrangem oito espécies de tubarão, bem como os corais vermelho e rosado, cobiçados pelos joalheiros.
Tanzânia e Zâmbia, que apresentaram uma moratória de nove anos sobre o comércio do marfim depois de uma venda maciça de reservas por outros quatro países africanos, em 2008, se comprometeram a fazê-lo novamente. China e Japão, os principais mercados para as presas de elefante, provavelmente apoiarão a medida.
África
Mas dezenas de outros países africanos, com o provável apoio da Europa, tentarão estender a proibição a 20 anos. Diferentemente de muitos fóruns de negociação das Nações Unidas, o alinhamento dos interesses nacionais pode evoluir de uma proposta para outra.
Estados Unidos e Europa veem o atum como uma causa comum, mas não estão de acordo, por exemplo, quanto ao urso polar, caçado legalmente pelos povos indígenas do Ártico, que com frequência vendem a pele do animal. Os Estados Unidos pediram que a espécie fosse incluída na lista do Anexo I.
A China, por sua vez, estará na posição de acusado em várias situações. O fórum examinará uma resolução destinada a condenar a criação de tigres, praticada unicamente na China. O país mais populoso do mundo também é um importante mercado para o marfim e as barbatanas de tubarão.
*Com informações da AFP
saiba mais
18/03/2010 - 07:09
A internet é um grande mercado sem fronteiras que os traficantes de espécies selvagens aproveitam para vender produtos de espécies selvagens, por exemplo, vinho de osso de tigre, marfim ou salamandras, mas também pode se voltar contra eles, dando pistas para encontrá-los.
A conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites, na sigla em inglês), reunida até 25 de março em Doha, examinará as possibilidades de se reforçar o controle do comércio na rede, agora que a quarta parte da população mundial tem acesso à internet.
Este é um tema com o qual as ONGs trabalham há anos: o Fundo Mundial para a Proteção dos Animais (Ifaw, em inglês) fez uma investigação em onze países, da Argentina à Rússia, passando por Estados Unidos, Colômbia e França, enviado à Cites, e que concluiu que quase dois terços dos anúncios eram sobre marfim.
"Poucas vezes são presas, na verdade se trata mais de pequenos objetos", explicou Céline Sissler-Bienvenue, especialista da Ifaw para elefantes.
O comércio de aves exóticas também é próspero (20% das ofertas) e os investigadores encontraram inclusive primatas, répteis, tubarões, chifres de rinocerontes e esturjões, todas espécies cuja comercialização está proibida ou sujeita à normativa da Cites.
Grace Ge Gabriel, encarregada da Ifaw na China, tem observado um pico nas vendas de vinho de osso de tigre (vinho de arroz curtido durante 3, 6 ou 9 anos com a carcaça do animal).
O mesmo acontece com a bílis de urso, usada na medicina tradicional chinesa, com forte potencial exportador.
"O mercado chinês está saturado, mas as alfândegas canadeses e americanas têm feito apreensões frequentes", afirmou.
Em Doha, a organização Traffic chamou a atenção para uma pequena salamandra procedente do Irã ("Neurergus kaiseri"), da qual só restariam mil adultos vivendo na natureza. Em 2006, a entidade encontrou uma dezena de páginas na internet onde a espécie era posta à venda por 300 dólares.
"Uma companhia ucraniana afirma ter vendido mais de 200, capturadas na natureza, em um ano", disse Ernie Cooper, da Traffic canadense.
"A maior parte dos anúncios é de particulares", estimou Ge Gabriel. "As redes de traficantes contam com muitos outros meios para vender no atacado. Mas, com frequência, quando se demora em localizá-las, a oferta desaparece", acrescentou.
Há dois anos, a maioria das grandes plataformas na internet proibiram o comércio de marfim e todos os derivados de espécies cuja comercialização é proibida pela Cites, inclusive o site chinês taobao.com.
"Mas os vendedores disfarçam sua oferta, mencionam 'dentes do maior animal terrestre' ou cometem erros de ortografia para escapar dos filtros", denunciou.
A Cites leva a sério este assunto, que já foi examinado por um grupo de trabalho em 2009, em Vancouver.
Segundo John Sellar, encarregado da luta contra o tráfico na secretaria da Convenção, é difícil avaliar o alcance do tráfico na rede mundial de computadores ou sua tendência.
"Os leilões se multiplicam, então há mais oferta. Mas o mesmo objeto pode ser vendido várias vezes. Não dispomos de números confiáveis", afirmou.
Benito Pérez, responsável há dez anos pela repressão de fraudes ambientais do governo americano, assegurou que em algumas ocasiões a internet permite que se chegue aos fornecedores.
Recentemente, lembrou, "uma investigação conjunta com a Tailândia permitiu a apreensão de dezenas de peças de marfim e a acusação, nos Estados Unidos, de um americano e de um tailandês".
Organizações discutem reforço no controle do tráfico de animais pela internet
France Presse
A internet é um grande mercado sem fronteiras que os traficantes de espécies selvagens aproveitam para vender produtos de espécies selvagens, por exemplo, vinho de osso de tigre, marfim ou salamandras, mas também pode se voltar contra eles, dando pistas para encontrá-los.
A conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites, na sigla em inglês), reunida até 25 de março em Doha, examinará as possibilidades de se reforçar o controle do comércio na rede, agora que a quarta parte da população mundial tem acesso à internet.
Este é um tema com o qual as ONGs trabalham há anos: o Fundo Mundial para a Proteção dos Animais (Ifaw, em inglês) fez uma investigação em onze países, da Argentina à Rússia, passando por Estados Unidos, Colômbia e França, enviado à Cites, e que concluiu que quase dois terços dos anúncios eram sobre marfim.
"Poucas vezes são presas, na verdade se trata mais de pequenos objetos", explicou Céline Sissler-Bienvenue, especialista da Ifaw para elefantes.
O comércio de aves exóticas também é próspero (20% das ofertas) e os investigadores encontraram inclusive primatas, répteis, tubarões, chifres de rinocerontes e esturjões, todas espécies cuja comercialização está proibida ou sujeita à normativa da Cites.
Grace Ge Gabriel, encarregada da Ifaw na China, tem observado um pico nas vendas de vinho de osso de tigre (vinho de arroz curtido durante 3, 6 ou 9 anos com a carcaça do animal).
O mesmo acontece com a bílis de urso, usada na medicina tradicional chinesa, com forte potencial exportador.
"O mercado chinês está saturado, mas as alfândegas canadeses e americanas têm feito apreensões frequentes", afirmou.
Em Doha, a organização Traffic chamou a atenção para uma pequena salamandra procedente do Irã ("Neurergus kaiseri"), da qual só restariam mil adultos vivendo na natureza. Em 2006, a entidade encontrou uma dezena de páginas na internet onde a espécie era posta à venda por 300 dólares.
"Uma companhia ucraniana afirma ter vendido mais de 200, capturadas na natureza, em um ano", disse Ernie Cooper, da Traffic canadense.
"A maior parte dos anúncios é de particulares", estimou Ge Gabriel. "As redes de traficantes contam com muitos outros meios para vender no atacado. Mas, com frequência, quando se demora em localizá-las, a oferta desaparece", acrescentou.
Há dois anos, a maioria das grandes plataformas na internet proibiram o comércio de marfim e todos os derivados de espécies cuja comercialização é proibida pela Cites, inclusive o site chinês taobao.com.
"Mas os vendedores disfarçam sua oferta, mencionam 'dentes do maior animal terrestre' ou cometem erros de ortografia para escapar dos filtros", denunciou.
A Cites leva a sério este assunto, que já foi examinado por um grupo de trabalho em 2009, em Vancouver.
Segundo John Sellar, encarregado da luta contra o tráfico na secretaria da Convenção, é difícil avaliar o alcance do tráfico na rede mundial de computadores ou sua tendência.
"Os leilões se multiplicam, então há mais oferta. Mas o mesmo objeto pode ser vendido várias vezes. Não dispomos de números confiáveis", afirmou.
Benito Pérez, responsável há dez anos pela repressão de fraudes ambientais do governo americano, assegurou que em algumas ocasiões a internet permite que se chegue aos fornecedores.
Recentemente, lembrou, "uma investigação conjunta com a Tailândia permitiu a apreensão de dezenas de peças de marfim e a acusação, nos Estados Unidos, de um americano e de um tailandês".
Os benefícios das chamadas “drogas vegetais” passam de geração em geração. Quase todo mundo já ouviu falar de alguma planta, folha, casca, raiz ou flor que ajuda a aliviar os sintomas de um resfriado ou mal-estar. Unindo ciência e tradição, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) quer popularizar esse conhecimento, esclarecendo quando e como as drogas vegetais devem ser usadas para se alcançar efeitos benéficos. A medida faz parte da RDC 10, publicada nesta quarta-feira (10).
“O alho é um famoso expectorante e muita gente tem o hábito de usá-lo com água fervente. No entanto, para aproveitar melhor as propriedades terapêuticas, o ideal é deixá-lo macerar, ou seja, descansar em água à temperatura ambiente”, explica a coordenadora de fitoterápicos da Anvisa, Ana Cecília Carvalho.
Inaladas, ingeridas, usadas em gargarejos ou em banhos de assento, as drogas vegetais têm formas específicas de uso e a ação terapêutica é totalmente influenciada pela forma de preparo. Algumas possuem substâncias que se degradam em altas temperaturas e por isso devem ser maceradas. Já as cascas, raízes, caules, sementes e alguns tipos de folhas devem ser preparados em água quente. Frutos, flores e grande parte das folhas devem ser preparadas por meio de infusão, caso em que se joga água fervente sobre o produto, tampando e aguardando um tempo determinado para a ingestão.
Outra novidade da resolução diz respeito à segurança: a partir de agora as empresas vão precisar notificar (informar) à Agência sobre a fabricação, importação e comercialização dessas drogas vegetais no mínimo de cinco em cinco anos. Os produtos também vão passar por testes que garantam que eles estão livres de microrganismos como bactérias e sujidades, além da qualidade e da identidade.
Além disso, os locais de produção deverão cumprir as Boas Práticas de Fabricação, para evitar que ocorra, por exemplo, contaminação durante o processo que vai da coleta, na natureza, até a embalagem para venda. As embalagens dos produtos deverão conter, dentre outras informações, o nome, CNPJ e endereço do fabricante, número do lote, datas de fabricação e validade, alegações terapêuticas comprovadas com base no uso tradicional, precauções e contra indicações de uso, além de advertências específicas para cada caso.
Luana Cury - Imprensa/Anvisa
Comunidades do município de Terra Santa que participam do Projeto Pé-de-Pincha comemoram a soltura de 9.750 filhotes de quelônios na natureza durante o mês e fevereiro.
O Projeto, que existe há dez anos e atualmente é realizado em nove municípios dos estados do Pará e Amazonas, é uma iniciativa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e do IBAMA do Amazonas, contando com a parceria da Mineração Rio do Norte (MRN) e a participação voluntária dos comunitários que abraçam a causa e atuam como agentes ambientais em seus municípios.
No último domingo, 21 de fevereiro, representantes da Mineração Rio do Norte participaram da soltura de quelônios nas comunidades do Desengano e Aliança, em Terra Santa. Na ocasião, o gerente de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Relações Comunitárias da MRN, Ademar Cavalcanti, agradeceu pelo apoio de todos os envolvidos nas ações do Projeto.
O Projeto Pé-de-Pincha é realizado há dez anos, tem como objetivo a conservação de quelônios da Amazônia (tracajás, tartarugas e pitiús). Desenvolvido numa parceria entre a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), o projeto conta com o apoio da Mineração Rio do Norte e das prefeituras e comunidades locais.
Suas ações incluem a capacitação de comunidades ribeirinhas para o manejo de ovos e quelônios, com atividades focadas na educação e sensibilização para a conservação do meio ambiente. O termo “Pincha”, na região, significa tampinha de garrafa e faz uma analogia às pegadas de quelônios deixadas na areia, que têm formatos semelhantes às tampas de garrafas.
Ascom/MRN
O cacau orgânico produzido na região da Transamazônica, no sudoeste do Pará, foi um dos produtos brasileiros em exposição na maior feira de negócios do setor orgânico internacional, a Biofach, iniciada no dia 17 na cidade de Nuremberg, Alemanha, e que prosseguiu até o dia 20 de fevereiro.
O Pará está foi representado por 12 pequenos e médios produtores de cacau orgânico, que pela primeira vez participam de uma feira fora do Brasil, mas já exportam, desde 2008, para a Áustria, Alemanha e empresas nacionais, como a Natura.
A expectativa é formar um intercâmbio com as indústrias chocolateiras de outros países, conhecer a dinâmica do beneficiamento e produção do chocolate e conquistar novos mercados.
Certificação - O cacau orgânico paraense tem certificação reconhecida na comunidade europeia e sua produção deverá crescer cerca de 15% neste ano, segundo o gerente regional da Sagri em Altamira, João Batista.
O otimismo quanto ao crescimento da produção orgânica na região da Transamazônica, região que mais produz cacau no Pará, se deve principalmente ao Centro de Referência de Produtos Orgânicos, construído com apoio do governo do Estado. O centro será inaugurado no próximo dia 27, em Altamira, e receberá a produção de oito cooperativas da região. Os produtos serão organizados, passarão por testes de laboratório para classificação e serão embalados para exportação.
O Pará produz 60 mil toneladas de cacau, a segunda maior produção do país, ficando atrás apenas da Bahia. Só a Transamazônica produz 40 mil toneladas, com 10 mil famílias envolvidas na atividade cacaueira na região.
fonte: ecoamazônia
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A MP 422 assinada por Lula e Cassel em 25 de março tornou-se a Lei Nº 11.763 de 1º de agosto de 2008, depois de sua publicação no Diário Oficial da União no último dia quatro de agosto. Ela já havia sido aprovada pela Câmara de Deputados no dia 13 de maio e pelo Senado no dia nove do mês de julho com o voto contrário de oito senadores do PT, a saber: Marina Silva, Eduardo Suplicy, Aloízio Mercadante, Tião Viana, Fátima Cleide, Flávio Arns, João Pedro e Paulo Paim. O fato curioso desta votação foram as abstenções do comunista Inácio Arruda do PC do B e de Renato Casagrande do PSB, além é óbvio, da votação favorável junto dos representantes dos grileiros, dos petistas Augusto Botelho, Delcídio Amaral, Serys Slhessarenko e Ideli Salvati.
Este ato legal torna Luis Inácio Lula da Silva o primeiro presidente civil, e o que é mais agravante, o primeiro operário a legalizar a grilagem de terras públicas na Amazônia brasileira. Antes dele, foi o Imperador D. Pedro II por ocasião da Lei de Terras de 1850 do então Senador Vergueiro, que entregou gratuitamente as terras das sesmarias e das posses quaisquer que fossem as suas dimensões para as elites que as ocupavam ilegalmente. Depois, foram os militares pós 1964, representados pelo General Médici na década de 70, que “venderam por um preço simbólico” milhões de hectares de terras públicas na Amazônia Legal. Preço simbólico representado, por exemplo, como indiquei em minha tese de livre docência, pela compra feita pela Indeco S/A - Integração, Desenvolvimento e Colonização, na época propriedade de Ariosto da Riva - ex-sócio do grupo Ometto na Agropecuária Suiá-Missu - que adquiriu 500 mil hectares da gleba Raposo Tavares em 1971, pelo preço de Cr$ 15 o hectare - quantia esta que naquela época dava para comprar seis maços de cigarro de marca Hollywood. Além dessa área, ele também, adquiriu do governo do estado de Mato Grosso em 1973, outra área contígua a anterior com 400 mil hectares, por apenas Cr$ 50 o hectare, ou seja, o equivalente a 20 maços de cigarro da mesma marca.
Estes exemplos históricos somados ao de Lula mostram que a elite brasileira raramente botou “a mão no bolso” para comprar a terra. Ela sempre criou instrumentos legais para se apropriar gratuitamente de vastas extensões de terras no Brasil. É por isso que o capitalismo no Brasil tem o caráter rentista. Em primeiro lugar foram as sesmarias, instrumento jurídico da coroa portuguesa que baseado em Lei de 26 de junho de 1375, eram doadas aos “homens de bem da corte”. Depois veio a grilagem.
A origem da grilagem das terras públicas devolutas ou não, no Brasil, iniciou-se com a Lei de Terras de 1850, pois, enquanto o artigo primeiro instituía a propriedade privada da terra somente por meio da compra e venda, o artigo segundo proibiu a posse de todas as terras devolutas que pertenciam ao Império. Inclusive, tornou o ato crime e seu autor ficava sujeito a uma pena de dois a seis meses de prisão, multa de 100 mil réis e inclusive responsável pela reparação dos danos causados.
Portanto, a Lei nº 601 de 18/09/1850 legitimou por meio de seu artigo quinto, todas as posses existentes até então, quaisquer que fossem suas áreas, desde que medidas e registradas nos livros das freguesias até 1856. Porém, depois deste prazo, passou a interditá-la. Mas, tudo no plano legal, porque no imaginário social de então, continuava valer a abertura da posse como instrumento de acesso à propriedade privada da terra.
A Constituição da República de 1891 transferiu para os Estados as terras públicas devolutas, mas manteve sob controle da União as terras das faixas de fronteira e da Marinha. Entretanto, o governo federal e os governos estaduais nunca fizeram as ações discriminatórias e as arrecadações das terras públicas devolutas.
É por isso, que na atualidade, mais de 212 milhões de hectares de terras públicas devolutas ou não, estão fora dos registros do Incra, dos Institutos de Terras estaduais e dos Cartórios de Registro de Imóveis. Ou seja, estão cercadas, mas, não existem para o Estado. Outros 84 milhões de hectares aparecem no cadastro do Incra como posse, e, dentre elas apenas, 21 milhões de hectares são posses legalizáveis, pela legislação em vigor. Outros 63 milhões vão se somar aos 212 milhões totalizando 275 milhões de hectares de terras cercadas ilegalmente no país. Cabe esclarecer que a Constituição de 1988, permite a regularização apenas das posses até 50 hectares, e até 100 hectares excepcionalmente. Logo, as áreas maiores ocupadas não podem ser legalizadas.
Foi por isso que os grileiros sempre atuaram politicamente para impedir que os governos estaduais e a União fizessem as ações discriminatórias das terras devolutas sob suas jurisdições. E, aí está a razão pela qual são contra a reforma agrária, porque a luta desencadeada pelos movimentos sócio-territoriais revelou esta estratégia ilegal dos que se dizem “proprietários” de terras, mas, que na verdade revela a sua face grileira na apropriação privada do patrimônio público.
Somente no Estado do Pará da governadora do PT que é da mesma corrente política do ministro do MDA, por onde começou a aplicação da MP 422, há no cadastro do Incra 47 mil minifúndios apossando-se de apenas 1.5 milhões de hectares; 27 mil pequenas propriedades ocupando 2.9 milhões de hectares, mas lá há 3 mil médias propriedades grilando 1.6 milhões de hectares. E mais, destas médias propriedades apenas 274 são produtivas, ou seja, mais de 3 são improdutivas e vão ser legalizadas, e com elas, mais de 1.4 milhões de hectares. Isto para não falar das 1.9 mil grandes propriedades presente no cadastro do Incra indicando a grilagem de 4.9 milhões de hectares, das quais 1.7 mil são improdutivas e ocupam 4.6 milhões de hectares, que certamente serão desdobradas em áreas menores para se enquadrarem na MP 422.
É por isso que Lula entrará para a história como o presidente operário companheiro dos grileiros das terras públicas da Amazônia Legal. E, para todos aqueles e aquelas que continuam gritando indignados contra este verdadeiro “crime lesa Pátria”, resta ainda a possibilidade de se impetrar uma ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Portanto, a luta contra a MP 422 continua.
* ARIOVALDO UMBELINO é Professor titular de Geografia Agrária pela Universidade de São Paulo (USP). Estudioso dos movimentos sociais no campo e da agricultura brasilera, é autor, entre outros livros, de “Modo capitalista de produção (Ática, 1995)”, “Agricultura camponesa no Brasil” (Contexto, 1997).
Fonte: Radioagência NP, 08/08/08
Este ato legal torna Luis Inácio Lula da Silva o primeiro presidente civil, e o que é mais agravante, o primeiro operário a legalizar a grilagem de terras públicas na Amazônia brasileira. Antes dele, foi o Imperador D. Pedro II por ocasião da Lei de Terras de 1850 do então Senador Vergueiro, que entregou gratuitamente as terras das sesmarias e das posses quaisquer que fossem as suas dimensões para as elites que as ocupavam ilegalmente. Depois, foram os militares pós 1964, representados pelo General Médici na década de 70, que “venderam por um preço simbólico” milhões de hectares de terras públicas na Amazônia Legal. Preço simbólico representado, por exemplo, como indiquei em minha tese de livre docência, pela compra feita pela Indeco S/A - Integração, Desenvolvimento e Colonização, na época propriedade de Ariosto da Riva - ex-sócio do grupo Ometto na Agropecuária Suiá-Missu - que adquiriu 500 mil hectares da gleba Raposo Tavares em 1971, pelo preço de Cr$ 15 o hectare - quantia esta que naquela época dava para comprar seis maços de cigarro de marca Hollywood. Além dessa área, ele também, adquiriu do governo do estado de Mato Grosso em 1973, outra área contígua a anterior com 400 mil hectares, por apenas Cr$ 50 o hectare, ou seja, o equivalente a 20 maços de cigarro da mesma marca.
Estes exemplos históricos somados ao de Lula mostram que a elite brasileira raramente botou “a mão no bolso” para comprar a terra. Ela sempre criou instrumentos legais para se apropriar gratuitamente de vastas extensões de terras no Brasil. É por isso que o capitalismo no Brasil tem o caráter rentista. Em primeiro lugar foram as sesmarias, instrumento jurídico da coroa portuguesa que baseado em Lei de 26 de junho de 1375, eram doadas aos “homens de bem da corte”. Depois veio a grilagem.
A origem da grilagem das terras públicas devolutas ou não, no Brasil, iniciou-se com a Lei de Terras de 1850, pois, enquanto o artigo primeiro instituía a propriedade privada da terra somente por meio da compra e venda, o artigo segundo proibiu a posse de todas as terras devolutas que pertenciam ao Império. Inclusive, tornou o ato crime e seu autor ficava sujeito a uma pena de dois a seis meses de prisão, multa de 100 mil réis e inclusive responsável pela reparação dos danos causados.
Portanto, a Lei nº 601 de 18/09/1850 legitimou por meio de seu artigo quinto, todas as posses existentes até então, quaisquer que fossem suas áreas, desde que medidas e registradas nos livros das freguesias até 1856. Porém, depois deste prazo, passou a interditá-la. Mas, tudo no plano legal, porque no imaginário social de então, continuava valer a abertura da posse como instrumento de acesso à propriedade privada da terra.
A Constituição da República de 1891 transferiu para os Estados as terras públicas devolutas, mas manteve sob controle da União as terras das faixas de fronteira e da Marinha. Entretanto, o governo federal e os governos estaduais nunca fizeram as ações discriminatórias e as arrecadações das terras públicas devolutas.
É por isso, que na atualidade, mais de 212 milhões de hectares de terras públicas devolutas ou não, estão fora dos registros do Incra, dos Institutos de Terras estaduais e dos Cartórios de Registro de Imóveis. Ou seja, estão cercadas, mas, não existem para o Estado. Outros 84 milhões de hectares aparecem no cadastro do Incra como posse, e, dentre elas apenas, 21 milhões de hectares são posses legalizáveis, pela legislação em vigor. Outros 63 milhões vão se somar aos 212 milhões totalizando 275 milhões de hectares de terras cercadas ilegalmente no país. Cabe esclarecer que a Constituição de 1988, permite a regularização apenas das posses até 50 hectares, e até 100 hectares excepcionalmente. Logo, as áreas maiores ocupadas não podem ser legalizadas.
Foi por isso que os grileiros sempre atuaram politicamente para impedir que os governos estaduais e a União fizessem as ações discriminatórias das terras devolutas sob suas jurisdições. E, aí está a razão pela qual são contra a reforma agrária, porque a luta desencadeada pelos movimentos sócio-territoriais revelou esta estratégia ilegal dos que se dizem “proprietários” de terras, mas, que na verdade revela a sua face grileira na apropriação privada do patrimônio público.
Somente no Estado do Pará da governadora do PT que é da mesma corrente política do ministro do MDA, por onde começou a aplicação da MP 422, há no cadastro do Incra 47 mil minifúndios apossando-se de apenas 1.5 milhões de hectares; 27 mil pequenas propriedades ocupando 2.9 milhões de hectares, mas lá há 3 mil médias propriedades grilando 1.6 milhões de hectares. E mais, destas médias propriedades apenas 274 são produtivas, ou seja, mais de 3 são improdutivas e vão ser legalizadas, e com elas, mais de 1.4 milhões de hectares. Isto para não falar das 1.9 mil grandes propriedades presente no cadastro do Incra indicando a grilagem de 4.9 milhões de hectares, das quais 1.7 mil são improdutivas e ocupam 4.6 milhões de hectares, que certamente serão desdobradas em áreas menores para se enquadrarem na MP 422.
É por isso que Lula entrará para a história como o presidente operário companheiro dos grileiros das terras públicas da Amazônia Legal. E, para todos aqueles e aquelas que continuam gritando indignados contra este verdadeiro “crime lesa Pátria”, resta ainda a possibilidade de se impetrar uma ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Portanto, a luta contra a MP 422 continua.
* ARIOVALDO UMBELINO é Professor titular de Geografia Agrária pela Universidade de São Paulo (USP). Estudioso dos movimentos sociais no campo e da agricultura brasilera, é autor, entre outros livros, de “Modo capitalista de produção (Ática, 1995)”, “Agricultura camponesa no Brasil” (Contexto, 1997).
Fonte: Radioagência NP, 08/08/08
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O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes vão revisar a lista das espécies ameaçadas de extinção, de acordo com uma portaria conjunta publicada nesta quinta-feira (10/09) no Diário Oficial da União.
A lista atual foi elaborada em 2004 e publicada no ano passado no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. O material contém informações detalhadas sobre cada uma das 622 espécies ameaçadas da fauna brasileira.
A portaria tem o objetivo de agilizar a implementação da Política Nacional da Biodiversidade, voltada para a conservação e a recuperação das espécies ameaçadas em todo o território nacional.
via Globo Rural
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A lista atual foi elaborada em 2004 e publicada no ano passado no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. O material contém informações detalhadas sobre cada uma das 622 espécies ameaçadas da fauna brasileira.
A portaria tem o objetivo de agilizar a implementação da Política Nacional da Biodiversidade, voltada para a conservação e a recuperação das espécies ameaçadas em todo o território nacional.
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As 95 tartarugas foram soltas no rio, enquanto os 220 quilos de pirarucu foram doados ao hospital público de Novo Airão, à delegacia da cidade e a instituições filantrópicas. Foto: ICMBio
Invadir um dos maiores parques brasileiros para caçar tartarugas e pescar pirarucus pode sair caro. No início da semana, três pessoas foram presas e multadas em R$ 100 mil por capturar esses animais dentro do Parque Nacional do Jaú, no Amazonas.
Os infratores foram flagrados com 95 espécies de quelônios – tracajás, tartarugas, zé-pregos e Iaiás – e 220 quilos de do peixe pirarucu, que só pode ser pescado com licença. Eles também carregavam uma espingarda e equipamento de pesca, que foram apreendidos.
Segundo o Instituto Chico Mendes (ICMBio) – órgão responsável pelos parques e reservas federais –, é comum a invasão de pescadores na época em que os rios começam a baixar. Peixes e tartarugas são vendidos para comerciantes que levam esses produtos para Manaus.
A fiscalização ocorreu no último domingo (1º), entre os municípios de Novo Airão e Barcelos. Além do ICMBio, o Ibama e o Batalhão Ambiental da Polícia Militar também participaram da operação.
Patrimônio da humanidade
Localizado a 220 km de Manaus, o Parque Nacional do Jaú ocupa uma área de 22.720 km², o equivalente ao estado do Sergipe. Em 2000, o local foi definido pela Unesco como um Patrimônio Natural da Humanidade. Apesar do reconhecimento, o local ainda recebe poucos turistas.
via Globo Amazônia
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Em Rondônia, em um trecho de floresta ainda intacto, uma comunidade ribeirinha tenta explorar a natureza sem destruí-la. Preocupados com o volume de peixes da região, que vem diminuindo ano após ano, os moradores da reserva extrativista de Cuniã resolveram fazer a pesca inteligente do pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo.
Sem usar redes, para não capturar os animais menores, os moradores da reserva andam de canoa e caçam o pirarucu com arpões. Adenias, pescador experiente, trabalha com a pesca desde os 13 anos de idade, mas não acha nada fácil pegar o peixe gigante. “Ele bóia, você arpoa na direção daquela borbulha. A vista tem que ser boa", ensina.
Os caboclos já sabem que a pesca predatória é ruim para a região. "A gente só vive da pesca e a população do Lago do Cuniã está aumentando muito".
Caça de jacarés
Cerca de 400 pessoas vivem na reserva extrativista. Um dos grandes medos da população pode ser também uma solução econômica. Ele se chama jacaré-açu. Há cinco anos, um desses animais matou uma criança de sete anos que brincava no rio. A população do animal cresceu muito desde que o Ibama proibiu a caça.
A comunidade pretende, com autorização dos órgãos ambientais, ter direito a explorar o jacaré-açu. Foi criada uma área na vila de moradores para o abate e o beneficiamento do couro do animal. O trabalho vai respeitar todas as normas.
“No tanque de decantação virá toda a salmoura, todo o resíduo que não vai ser aproveitado do jacaré. Serão eliminados todos os produtos, para que não polua o rio nem o solo”, mostra um morador.
“O manejo de pesca pretende atuar no tripé da sustentabilidade. Que manejo da pesca seja ecologicamente correto, ou seja, respeite a capacidade de recuperação do ambiente. Que seja economicamente justo, que gere um beneficio interessante e justo para esse pescador, que seja correto, que gere beneficio para o pescador como para a comunidade como um todo”, diz um representante da ONG WWF-Brasil.
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