Live from Copenhaga 2009

Cop 15 Webcast

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por Luiza Bodenmüller e Spensy Pimentel 
Os Guarani-Kaiowá, na comunidade Laranjeira Nhanderu. (Foto: Agência Pública)
O drama dos Guarani-Kaiowá, de Mato Grosso do Sul, chamou a atenção das redes sociais nas últimas semanas, mas não tem comovido as autoridades do estado, conforme demonstram documentos divulgados pelo Wikileaks.
Um comunicado diplomático de março de 2009 relata uma visita do então cônsul norte-americano no Brasil, Thomas White, ao estado. Sua comitiva manteve conversas com o governador André Puccinelli (PMDB) e outras figuras de peso, como o então presidente do Tribunal de Justiça do estado, Elpídio Helvécio Chaves Martins.
O telegrama, de 21 de maio de 2009 e endereçado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos pelo Consulado de São Paulo, relata a visita do cônsul-geral e sua equipe ao Mato Grosso do Sul. Segundo o documento, durante os quatro dias de visita, houve reuniões com membros do governo federal e estadual, do setor privado e também com lideranças indígenas.
O telegrama revela que a ideia de que os Guarani-Kaiowá poderão ter mais terras demarcadas é vista com desdém pelas autoridades locais.
“O governador Puccinelli zombou da ideia de que a terra, num estado como o Mato Grosso do Sul, cuja principal atividade econômica é a agricultura, poderia seja retirada das mãos dos produtores que cultivam a terra há décadas para devolvê-la aos grupos indígenas”, lê-se.

Trecho de telegrama do então cônsul norte-americano no Brasil, Thomas White, ao governo americano mostra que governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), zombou da situação dos Guarani-Kaiowá. (Crédito: Wikileaks)
Além de Puccinelli, entre os entrevistados estavam o então presidente do TJ-MS, Elpidio Helvecio Chaves Martins e o presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul, Sergio Marcolino Longen. Do outro lado da disputa, além de lideranças indígenas (os guarani Otoniel Ricardo, Teodora de Souza, Edil Benites e Norvaldo Mendes) foram ouvidos representantes de grupos que fazem a defesa dos direitos indígenas, como o procurador Federal Marco Antonio Delfino e o advogado do Conselho Indigenista Missionário Rogerio Battaglia, entre outros.
O desembargador Chaves Martins, por sua vez, ponderou, na conversa com a delegação norte-americana, que a demarcação de novas terras para os indígenas poderia ter efeitos negativos – ao contrário do que reivindica o movimento indígena.
“Chaves advertiu que as tendências ao separatismo nas comunidades indígenas – concentrando os índios em reservas expandidas – só iriam agravar os seus problemas. Dourados tem uma reserva vizinha, que Chaves previu que se tornará a ‘primeira favela indígena do Brasil’ se persistir a tendência a isolar e dar tratamento separado aos povos indígenas”, relata o cônsul.

Questão era tratada como “desastre” pelo cônsul dos EUA, revela telegrama. (Crédito: Wikileaks)
Segundo defensores dos direitos indígenas, a reserva de Dourados tem péssimas condições de vida em função da sobrepopulação ocasionada pela falta de terras: são 11,3 mil pessoas vivendo em 3,5 mil hectares.
O então presidente do Tribunal de Justiça também reclamou de “calúnias” que as autoridades locais sofrem dos ativistas, sendo acusadas de “tortura e racismo”, quando estão simplesmente “tentando cumprir a lei”.
Segundo recentes relatórios do Conselho Indigenista Missionário, há mais assassinatos entre indígenas no Mato Grosso do Sul, e particularmente entre os Guarani-Kaiowá, do que em todo o resto do Brasil: entre 2003 e 2011, foram 279 em MS, e 224 no restante do Brasil. O estado também se destaca pelo número de suicídios entre indígenas e outras mazelas, como desnutrição infantil.
Índios deviam “aprender a trabalhar”
De modo geral, avalia o comunicado diplomático, as autoridades locais acreditam que as demandas indígenas pelas demarcações e o retorno ao estilo de vida tradicional “não têm base”.
“Autoridades municipais e estaduais perguntaram como os índios dali reivindicavam ser índios, se eles ‘usam carros, tênis, drogas’. Eles reclamaram dos subsídios públicos dados aos índios, afirmando que eles deveriam ‘aprender a trabalhar como qualquer um’”, relata ainda o telegrama.

Documento revela ainda que autoridades do Mato Grosso do Sul afirmavam que os indígenas deveriam “aprender a trabalhar como qualquer um”. (Crédito: Wikileaks)
O telegrama expressa a conclusão de que não há “solução fácil” para o conflito em Mato Grosso do Sul. Para os norte-americanos, apesar de estarem na posse das terras há décadas, somente 30 a 40% dos agricultores devem ter títulos legais no estado – a conclusão é baseada em uma estimativa do geógrafo Ariovaldo Umbelino de Oliveira, da Universidade de São Paulo.
“Era difícil ver um meio termo potencial no conflito entre índios e agronegócio em Dourados. Apesar de os índios parecerem menos radicais do que, por exemplo, o não étnico Movimento dos Sem-Terra (MST), eles parecem não menos dedicados à sua meta de recuperar suas terras ancestrais, e a oposição dos proprietários parece igualmente arraigada”, avalia o telegrama.
Para os americanos, a situação das terras indígenas em MS e outras partes continuará apresentando desafios à democracia brasileira nos próximos anos. “A única coisa que fica clara é que, sem uma postura mais proativa do governo brasileiro, o assunto não vai se resolver por si mesmo”, conclui outro comunicado de 2008 sobre o tema – intitulado significativamente de “o desastre guarani-kaiowá”.
Nas últimas semanas, uma carta da comunidade guarani-kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay (Iguatemi-MS) deflagrou uma ampla campanha de solidariedade com esse povo indígena com base especialmente na internet. A demanda básica dos Guarani-Kaiowá é pela demarcação de terras: atualmente esse povo, o segundo maior do país, soma 43,4 mil pessoas, vivendo em pouco mais de 42 mil hectares.
Na carta, os indígenas afirmam não acreditar mais na Justiça brasileira e, diante do abandono do Estado e das constantes ameaças de pistoleiros, fazem, em tom dramático, o pedido para que seja decretada a “morte coletiva” dos 170 Guarani-Kaiowá da comunidade.
publicado pela Revista Babel
por Gabriel Bonis e Matheus Pichonelli

O informe de 2012 da Anistia Internacional sobre direitos humanos destacou preocupação em relação às comunidades indígenas submetidas a discriminação, ameaças e violências envolvendo disputa de terras no Brasil. A situação mais grave, de acordo com a ONG, não está na Amazônia, onde projetos de infraestrutura como a usina hidrelétrica de Belo Monte já afetam a vida da população local, mas sim no Mato Grosso do Sul. Na região, a lentidão no processo de demarcação de terras indígenas expõe as comunidades a um “alto risco de violações dos direitos humanos”.

Levantamento do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) mostra que cerca de 1.200 famílias estão hoje acampadas à beira de rodovias à espera da restituição de suas terras. A situação levou a uma série de episódios violentos patrocinados por grupos armados durante todo o ano de 2011.
A Anistia Internacional lembrou que, em setembro último, homens armados usaram caminhões, fizeram disparos com balas de borracha, incendiaram barracos e espancaram moradores em Pyelito Kue. “Diversas pessoas, inclusive crianças e idosos, ficaram gravemente feridas no ataque, que foi descrito pelo Ministério Público Federal como configurando genocídio e formação de milícias rurais.”
Em novembro, 40 pistoleiros, muitos deles encapuzados, atacaram o acampamento de Guaiviry, próximo à fronteira com o Paraguai. Eles atiraram no cacique Nísio Gomes e levaram seu corpo em uma caminhonete. O destino do líder indígena até hoje é desconhecido.
O relatório destaca ainda a condenação por formação de quadrilha, tortura e sequestro de três homens acusados de matar o líder Guarani-Kaiowá Marcos Veron, espancado até a morte em 2003. Eles recorreram da decisão e estão em  liberdade.
“Essa situação é uma vergonha para todos nós”, define o diretor-executivo da Anistia Internacional no Brasil, Atila Roque.
Embora grave, a situação em Mato Grosso do Sul não tem sensibilizado a opinião pública da mesma forma como a de indígenas afetados por obras de infraestrutura na Amazônia. “Eles vivem numa fronteira já muito deteriorada do ponto de vista da preservação do próprio território, uma área de muita disputa. É como se houvesse um silêncio em torno deles”, afirma Roque.
Outro agravante é a proximidade com a fronteira agrícola e o baixo controle do poder público sobre os interesses privados (representados em diversas instâncias do poder, enquanto a população indígena segue subrepresentada politicamente).
“O Brasil possui um sistema político que gera um padrão de representação deficitária, que não garante a presença de diferentes populações. Isso vale uma discussão mais ampla sobre como a política se financia e também o sistema de votos. Mas é um debate que o Brasil tem dificuldade de fazer porque o status quo se beneficia desse modelo.”
Uma outra dificuldade, segundo Tim Cahill, pesquisador de Brasil da Anistia Internacional, é a baixa participação desses povos na definição das políticas voltadas a eles e também a falta de acesso ao sistema de Justiça. Para Cahill, a situação do Mato Grosso do Sul não é difícil de resolver, pois as áreas indígenas são pequenas em relação a outras, como a Raposa Serra do Sol. “É uma população pequena e ameaçada pela violência e pela pobreza devido ao impacto da indústria da cana-de-açúcar, que os tira da terra e ainda os empurra a trabalhar nas plantações em condições degradantes. Isso poderia ser resolvido se houvesse vontade do governo em negociar com os latifundiários do estado e comprar essas terras para os indígenas. O governo diz que está fazendo isso e tentando arranjar uma solução.”
Apesar da situação no Mato Grosso do Sul, a Anistia Internacional considera que o Brasil possui hoje um arcabouço jurídico avançado em relação à preservação dos direitos indígenas. O problema, diz Cahill, é a implementação destas leis.
“Há um processo novo de expansão econômica que não está somente ameaçando o direito das populações, mas está levando a rever essa legislação [de defesa dos índios e demarcação de terras] com processos no Congresso”, afirma.
Belo Monte. Além da situação na fronteira, a Anistia Internacional emitiu no documento uma série de alertas sobre o impacto de megaempreendimentos na vida de populações vulneráveis. A ONG lembrou que em outubro do ano passado a presidenta Dilma Rousseff expediu um decreto “para facilitar o licenciamento ambiental de grandes empreendimentos econômicos” que afetam as terras de comunidades indígenas ou quilombolas.
“O Brasil precisa reconhecer os direitos destes povos e garantir que sua expansão econômica não seja feita à custa da vida deles”, diz Cahill.
Sobre Belo Monte, o relatório critica a recusa do Brasil a acatar medidas cautelares sobre o projeto determinadas pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos para proteger a saúde e a integridade da população local. “O Brasil, que tem uma tradição no apoio e valorização dos espaços multilaterais, reagiu mal”, lamenta Atila Roque.
A Anistia demostrou preocupação também com a situação de ativistas rurais e lembrou a morte do casal ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados a tiros há exato um ano por pistoleiros no município de Ipixuna, no Pará. Eles denunciavam as atividades ilegais de madeireiros, fazendeiros e produtores de carvão da região. Apesar da prisão de um mandante e dois supostos executores, as ameaças contra os familiares das vítimas permanecem.
Milícias. A ONG destaca ainda a atuação de grupos de extermínio e milícias que no ano passado mataram a juíza Patrícia Acioli com 21 tiros em frente de sua casa em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, e casos de tortura e maus-tratos nas superlotadas penitenciárias brasileiras, que hoje abrigam 500 mil internos – dos quais 44% ainda esperavam julgamento. Alerta também para o risco de remoções forçadas de moradores nas grandes cidades para dar espaço às obras da Copa do Mundo de 2014.




Morre, em Londres, o documentarista Adrian Cowell

por Felipe Milanez


O documentarista Adrian Cowell, morto aos 73 anos, em Londres. Foto: Ufam
Morreu na segunda-feira 10, de insuficiência respiratória, em Londres, o documentarista Adrian Cowell. Com um trabalho histórico de registro da destruição da Amazônia, ele estava vindo ao Brasil, onde chegaria dia 12, para finalizar a versão brasileira do filme Killing For Land (Matando pela terra, em tradução livre), inédito aqui, que aborda a violência no sul do Pará. Aos 77 anos, Cowell seguia filmando.
Cowell foi companheiro dos irmãos Villas Boas em expedições antes mesmo da criação do Parque Indígena do Xingu, registando tanto o cotidiano dos índios, quanto o trabalho dos sertanistas e as ameaças, por garimpeiros e fazendeiros. Trabalhou também com Apoena Meirelles, outro grande sertanista, no contato dos índios uru-eu-wau-wau, em Rondônia. Filmou, quase ininterruptamente, por 50 anos no Brasil. Seu trabalho começou em 1958, quando ainda era estudante. Foi mais intenso, sobretudo, nos anos 1980, quando fez a premiada série para TV “A Década da Destruição. E todo o seu trabalho, que são mais de sete toneladas de filmes, foi doado para a PUC de Goiás, para o Brasil, onde a consulta está disponível. O Acervo Adrian Cowell é um material fabuloso constituído de filmes 16 mm, fitas de vídeo, áudios, cassetes, slides e diários de campo sobre a Amazônia. (Informações no site http://imagensamazonia.pucgoias.edu.br/)
Cowell produziu o maior registro documental da memória da Amazônia nesse período. “Tem coisas que não existem em lugar nenhum,  que não está escrito, mas está registrado apenas pelo trabalho do Adrian.  E ele doou de volta para o Brasil”, diz Stella Penido, da Fiocruz, que auxiliava a restauração dos filmes. “Era incansável. E ele estava vindo ao Brasil, morreu trabalhando.” Amiga pessoal, diz Stella: “A vida dos seres humanos é como um trabalho de tecedura. Termina o trabalho com delicados fios, tecidos do inicio ao fim (Buda). Acho que não é nenhum exagero pensar que a vida do Adrian foi um bonito trabalho tecido com delicados e atentos fios do inicio ao fim. (obrigada, querido Adrian)”.
Imagem da série 'Destruição do Índio'
Vicente Rios, seu câmera, co-diretor no Brasil e que se tornou seu grande parceiro de trabalho a partir da “Década da Destruição”, está concluindo um documentário sobre Cowell, que vai se chamar “Visões da Amazônia”. “Faltava duas ou três frases, que ele iria completar agora”, disse Rios, chocado pela notícia. O filme, que contém cenas de bastidores das filmagens e também a visão de Cowell sobre a natureza, inclui sequencias inéditas como Cowell conversando com Orlando Villas Bôas sobre a memória de ambos dos tempos do Xingu, na casa do sertanista, em São Paulo.
Adrian Cowell nasceu em Tongshan na China, em 2 de fevereiro de 1934, e concluiu seus estudos na Universidade de Cambridge. Em um encontro que tivemos, no Rio de Janeiro, ele me explicou com um característico sotaque britânico, que aprendeu a falar português com o cacique Raoni. Em suas lembranças, sempre falava bem humorado, e extremamente dedicado e fiel tanto a seus princípios humanitários, quanto a seus parceiros, como os sertanistas, amigos índios, seringueiros.
Por um longo período, ele alternou viagens entre áreas de conflito na Amazônia e Myanmar, filmando a guerra civil no país, que viria a ser o objeto da série Opium, filmada ao longo de oito anos.
Quando Adrian Cowell decidiu filmar a destruição da Amazônia, em um trabalho documental de fôlego inigualável,  tudo podia acabar. Os índios, os seringueiros, a floresta. A Amazônia em sua totalidade. O trator do desenvolvimento, em curso e a todo vapor durante a ditadura militar, queria trazer o progresso, ou a idéia de “um progresso”, sobre um território visto como hostil e inabitado. Mas haviam os índios, os seringueiros e a biodiversidade no caminho. Na década de 1980, “nunca tanta matéria viva foi queimada como em Rondônia em toda a história”, apresenta o narrador de “A Floresta que virou Cinza”, da premiada série de cinco filmes chamada “A Década da Destruição”, em que ele filmou, ao longo de dez anos, a maior destruição já vista de um ambiente. Ganhou reconhecimento público em premiações como da British Academy (BAFTA), o Emmy Founders e o Golden Gate.
“A Década da Destruição” é o maior projeto de documentação da devastação da Amazônia jamais realizado. A seriedade, o comprometimento demonstrado pelo documentarista ao longo dos dez anos, surpreendem pelo acompanhamento incansável das histórias dos personagens, que são acompanhados por esse período. Também a coragem, como nas filmagens de tiroteios entre posseiros de terra e pistoleiros, em festas e tiroteios em garimpos, como o registro de um garimpeiro morto por um tiro de fusil, a escravidão na produção de carvão, ameaças de fazendeiros.
Acervo doado pelo documentarista para a Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Enquanto ainda era pouco conhecido pela imprensa brasileira, Chico Mendes já era filmado por Cowell, tanto os empates que fazia nos seringais, quanto em reuniões internacionais. Amigo pessoal do seringueiro, o filme, “Chico Mendes, eu quero viver”, foi concluído em 1991. O mesmo com o Padre Josimo, assassinado no Tocantins.
Em um email, escrito há três semanas, ele me disse, comentando a recente onda de assassinatos no sul do Pará: “Sem dúvida estes assassinatos possuem alguma influencia um sobre o outro. Antes de nossa proposta de filmar Chico, fiz uma decisão para a serie A Década da Destruição. Decidi que foi essencial mostrar o motivo porque tantos colonos estavam invadindo as florestas amazônicas. Resolvi fazer um filme sobre as brigas para terra em Para. Fui com Vicente Rios ao Sul de Para para encontrar com Padre Josimo – um padre negro de CPT.  Combinamos de filmar o trabalho e vida dele, mas antes que desse tempo para iniciar a filmagem,, ele foi assassinado.  Logo depois, encontramos Chico e combinamos filmar ele  (Chico viria a ser morto ao longo das filmagens)  Padre Josimo foi um caso famoso naquele tempo e tenho ainda um foto do Chico fazendo um comício num seringal embaixo de um foto do Josimo”
Uma outra série de extremo fôlego é “Os últimos isolados”, sobre os povos indígenas que vivam, ainda isolados, na floresta, enquanto se produzia a ocupação engendrada pelo regime militar. O documentarista acompanhou de perto o trabalho dos sertanistas da Funai, descrevendo o entorno dos territórios onde viviam os índios ameaçados – e que deveriam travar o primeiro contato com a sociedade ocidental. A “Destruição do Índio”, outra série memorável, reporta a difícil relação entre os povos indígenas e a colonização.
Rever o trabalho de Adrian Cowell hoje é explorar as mazelas que marcaram a exploração e a devastação da Amazônia desde o início da sua ocupação recente, engendrada durante a Ditadura. A obra que deixou vai ensinar muitas gerações de brasileiros a compreender melhor o país em que vivem – e que está sendo destruído.

"In 2011, there are 100 uncontacted tribes worldwide"


After a remarkable picture of an isolated people was unveiled, Joanna Eede tells of another newly discovered native group

It was once thought that all Yanomami Indians of the Brazilian Amazon had been contacted during the latter half of the 20th century, after which almost a fifth of their people died from diseases carried by gold-miners. Now, days after aerial photographs and footage of a threatened tribe living in the Brazilian rainforest on the border with Peru were published by Survival International, the organisation has revealed that there is a group of uncontacted Yanomami still living in Roraima state, northern Brazil.
The Moxatetéu people live in an area with the highest concentration of illegal gold miners. If the miners are not expelled urgently, they could come into contact with the Yanomami and pose a threat to their lives. "There are many uncontacted Indians," Davi Kopenawa, spokesperson of the contacted Yanomami people told Survival recently. "I want to help my uncontacted relatives, who have the same blood as us. They have never seen the white man's world."
An international campaign resulted in the creation of the Yanomami Park in 1992. José Carlos Meirelles, who works for Funai, Brazil's Indian Affairs Department, told Survival, "These people, the Moxatetéu really exist. Those empty spaces of the Yanomami Park are not as empty as people think. I'd go as far as saying that there is not just one uncontacted group in this area." 
The Moxatetéu are one of more than 100 peoples worldwide who live and thrive in isolation from society. Exact numbers are unknown: there could be up to 70 isolated peoples in the Brazilian rainforest, according to Funai, and an estimated 15 uncontacted tribes in Peru. Gauging how many such tribes there are in West Papua is difficult, because its treacherous terrain, and militarisation of some areas, prevents easy access.
Little is known about uncontacted tribes, but it is easy to imagine what they don't know: of cars or banks or telephones, the concept of government, the internet or the administration of Barack Obama, or why loggers would want to denude their forests. "We didn't know about deforestation," said a man from Brazil's Enawene Nawe tribe, after they were first contacted in 1974. "We didn't know that tractors existed and we didn't know about chain saws that cut down trees." Everything else about their lives – their languages, their names, what they hope for and to whom they pray – is mere speculation. But photographs such as those published last week put an end to speculation about their existence.
"The images show irrefutably that they are alive and healthy," said Fiona Watson, field and research director at Survival International. "And they negate the notion put forward by some that they have been 'invented' by environmentalists opposed to oil exploration in the Amazon." The images will help those campaigning to ensure that the limits of uncontacted territories are defined and protected under international law.
Stephen Corry, director of Survival, believes that a change in attitude will help tribes sustain their lifestyles. "So often, uncontacted tribes are referred to as 'backward' or 'uncivilised' because they choose to live in a different way from industrialised societies," he says. "It's the idea that's backward, not them."
Wade Davis is an American ethno-botanist and explorer-in-residence at National Geographic. "Just to know that such cultures exist is to remember that the human imagination is vast, fluid and infinite in its capacity for social and spiritual invention," he says.
Diversity has never much mattered to those determined to get their hands on lands rich in resources. When Christopher Columbus arrived in 1492, it is thought there were several million tribal people living in Brazil; today, there are approximately 650,000. Most died from diseases to which they had little or no immunity; it is still common for at least half of a tribe to die after first contact. 

fonte The Independent
by Joanna Eede is author of 'We are One – A Celebration of Tribal Peoples' 
Sunday, 6 February 2011
foto: Verena Glass

Brazil’s environmental agency, IBAMA, has issued a ‘partial’ installation licence for the Belo Monte dam, to be built on the Xingu River in the Amazon.
The licence allows the initial stages of construction, including the clearing of vast areas of forest, to commence, despite the numerous human rights and environmental violations this involves, and huge opposition from the local population.
Public Prosecutor Felício Pontes Jr said, ‘Following decisions like this one, we can call IBAMA the biggest environmental violator of the Amazon’.
Brazil’s Public Prosecutor’s Office has called for the immediate suspension of the licence, which was issued illegally as the majority of conditions required for an installation licence to be granted- conditions set by IBAMA itself- have not been met.
If built, Belo Monte would be the third largest dam in the world. It would devastate a large area of forest and harm fish stocks upon which thousands of indigenous people in the area depend for their survival.
The Indians have not given their consent for the project to go ahead. They have held large-scale protests against the dam and have warned that if construction commences, the Xingu could become a ‘river of blood’.
Particularly vulnerable are the uncontacted Indians living close to the dam site. Exposure to outside diseases brought by the thousands of immigrants expected to arrive in the area for the dam construction, could be fatal for them.
Survival International is urging the Brazilian authorities to prevent the construction of the dam until and unless it can be guaranteed that the land and lives of the uncontacted Indians are not at risk.
A report published recently by the NGOs International Rivers and Friends of the Earth- Brazilian Amazonia, warns that the Belo Monte project involves major social, environmental, legal and financial risks. Download the report (in Portuguese, 8 MB pdf).
Last month, IBAMA’s President Abelardo Bayma resigned, allegedly following intense pressure from the Ministry of Mines and Energy and from Brazil’s new President Dilma Rousseff, to allow Belo Monte to be built.

via Survival International

Amazon Watch junta-se à luta contra Belo Monte

James Cameron: "Uma Mensagem de Pandora"

link
"Uma Mensagem de Pandora" é um mini-documentário especial produzido por James Cameron sobre a batalha para impedir a construção da Usina de Belo Monte no Rio Xingu, um dos grandes tributários do Rio Amazonas. Junte-se à campanha para proteger a Floresta Amazônica e seus povos ao mobilizar-se agora. (ver mais)

Mensagem de Sheyla Juruna, líder do Povo Juruna:

link
Em nome do povo Juruna Indígenas da Bacia do Rio Xingu, peço seu apoio para ajudar a parar a hidrelétrica de Belo Monte. A qualquer momento, o governo brasileiro poderia quebrar solo, causando impactos irreparáveis para as nossas comunidades, o ambiente eo clima global. Estamos em um momento crítico na campanha para parar a hidrelétrica de Belo Monte e é essencial que a comunidade internacional agir agora para defender a Amazônia e apoiar os direitos dos povos indígenas.
Ajude-nos a defender o nosso rio e às futuras gerações, ao assinar esta petição.
- Sheyla Juruna, líder tribal Juruna

Assine a Petição Online: AQUI

Caro governo brasileiro,
Estou profundamente preocupado com os seus planos para construir a hidrelétrica de Belo Monte no Complexo do rio Xingu na Amazônia, em violação dos direitos humanos dos povos indígenas e outras populações ameaçadas.
Eu apoio as demandas da sociedade civil brasileira e exortá-lo a defender a Amazônia e seu povo e pare o Complexo de Belo Monte. 

Ler o texto completo da etição

Lançado em versão brasileira da animação do Google Earth sobre a Represa Monstruosa de Belo Monte

Sigourney Weaver in "Defending the Rivers of the Amazon":

link

legenda: Sigourney Weaver Narrates New Google Earth Animation on Brazil's Controversial Belo Monte Dam in the Amazon Rainforest. Amazon Watch and International Rivers have teamed up to create a state-of-the-art 10-minute Google Earth 3-D tour and video narrated by actress Sigourney Weaver, with technical assistance from Google Earth Outreach. The video is in support of Brazil's Movimento Xingu Vivo Para Sempre (Xingu River Forever Alive Movement). The tour allows viewers to learn about the harmful impacts of, and alternatives to the massive Belo Monte Dam Complex on the Amazon's Xingu River. A Portuguese version of the video and tour, narrated by well-known Brazilian actor Dira Paes to be released soon.

(...)

Hoje, uma versão brasileira do 3-D do Google video poderoso da Terra sobre a represa de Belo Monte Monster foi lançado. Narrado em Português pelo ator brasileiro Dira Paes, o vídeo irá levá-lo em uma turnê de tirar o fôlego da Bacia do Rio Xingu e mostrar-lhe o que acontecerá se este monstruoso represa de Belo Monte seja construída.
Este vídeo mostra uma versão em língua Inglês lançado uma semana antes nos Estados Unidos, narrada por Sigourney Weaver, que visitou a região do Xingu este Verão com o diretor James Cameron, Avatar oferecer suporte para a oposição local, até à barragem de grupos indígenas e da sociedade civil brasileira .
Saiba mais sobre esta luta crítica , e não se esqueça de assinar a petição contrária a barragem de Belo Monte monstro .

fonte

Brasil Dam Amazon recebe luz verde desrespeitando a legislação ambiental e de oposição local

Novo Governo de Dilma aprova Dilma desmatamento e início do polêmico canteiro de obras de Belo Monte

International Rivers, Amigos da Terra - Amazônia Brasileira.
PARA A LIBERAÇÃO IMEDIATA | janeiro 27, 2011

Brasília, Brasil - O governo brasileiro emitiu uma "instalação de licença parcial", permitindo que a hidrelétrica de Belo Monte Complexo quebrar a terra nas margens do Amazonas Xingu do Rio, apesar flagrante desrespeito aos direitos humanos e legislação ambiental, os protestos inabalável da sociedade civil e condenações pelo Gabinete sua Ministério Público Federal (MPF). A licença foi aprovada pela agência ambiental do IBAMA Brasil apesar das provas irrefutáveis de que a construção de barragens, consórcio Norte Energia(NESA) não cumpriu com dezenas de condições sociais e ambientais necessárias para a licença de instalação.
A licença de instalação "parcial", inexistente na legislação ambiental brasileira, permitirá NESA para abrir estradas de acesso e iniciar o desmatamento da floresta em locais de construção da barragem em uma área de 2.118 hectares. "A licença de instalação parcial concedida pelo Ibama é destinada a transformar Belo Monte, um projeto da barragem e catastrófica notoriamente ilegal e um enorme desperdício de dinheiro dos contribuintes, em um fato consumado", disse Christian Poirier, o Brasil Coordenador do Programa na Amazon Watch.
O risco 17000000000 dolar hidrelétrica de Belo Monte Complexo desviar quase todo o fluxo do rio Xingu, em um trecho de 62 quilômetros. Seus reservatórios vai inundar mais de 100 mil hectares de floresta e assentamentos locais, deslocar mais de 40.000 pessoas e gerar vastas quantidades de metano - um gás com efeito de estufa, pelo menos, 25 vezes mais potente que o dióxido de carbono.
A decisão segue a recente demissão do presidente do Ibama Abelardo Bayma, que supostamente partiu no meio de fortes pressões políticas do Ministério de Minas e Energia Dilma Rousseff Presidente.
O consórcio também se beneficiou de subvenções 640 milhões dólares crédito de arranque do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) para aquisições de equipamentos antes de uma licença parcial de instalação foi emitida, contrariando os procedimentos legais. O banco tem estado sob crescente escrutínio do escritório do Ministério Público e as ONG, devido à evidência de que a aprovação é baseada em motivos políticos, muitas vezes, minimizando problemas de viabilidade económica e de acordo com as garantias sociais e ambientais.
De acordo com o Procurador Ubiratan Cazetta, "o Ibama está colocando a região em um alto risco social e ambiental através da concessão de uma licença permitindo a instalação do canteiro de obras, embora não exigindo a observância das garantias legais obrigatórios. N. preparativos efectivos têm sido feitas para absorver os milhares dos migrantes que serão atraídas para a região em busca de emprego na construção de barragens. Estamos muito preocupados com o que poderia acontecer aqui ".
oposição feroz pelos habitantes locais para Belo Monte não mudou."Para nós, a licença de instalação de Belo Monte é um sinal de autoritarismo aprofundamento do governo, enquanto ela continua a esmagar a legislação ambiental e direitos humanos", disse Antônia Melo, um líder e porta-voz do Xingu vivo para sempre (Movimento MXVPS). "O governo pretende construir esta barragem a qualquer custo a fim de beneficiar os interesses corporativos às nossas custas. Contudo, não vamos parar de lutar para preservar o Xingu, o nosso patrimônio nacional".

Para mais informações, contactar:
  • Christian Poirier, a Amazon Watch, + 1 510 666 7565, christian@amazonwatch.org
  • Brent Millikan, International Rivers, + 55 61 8153 7009, brent@internationalrivers.org
  • Renata Pinheiro, Movimento Xingu Vivo Para Sempre, +55 (93) 9172-9776, rspinheiro2@yahoo.ca

(...)

Para Situar a questão:

O licenciamento ambiental de Belo Monte torna-se cada vez mais controverso. Tanto pela dimensão da obra e dos impactos que ela provoca, quanto pelo comportamento dos dirigentes que estão conduzindo o processo. Basta lembrar que a licença prévia foi concedida há cerca de um ano, logo após a demissão do diretor de licenciamento, que alegou, à época, não suportar as pressões que recebia. Agora, essa licença parcial de instalação é liberada poucos dias depois da demissão do presidente do órgão.
O que vem ocorrendo é que a concessão de uma licença parcial de instalação, antes uma exceção utilizada para obras emergenciais e para trechos de rodovias e ferrovias, tornou-se, nos últimos anos, usual e freqüente. Obras importantes e com grande impacto ambiental, como Angra 3 e as hidrelétricas do Madeira, também receberam, assim como Belo Monte, licenças parciais antes que fossem cumpridas todas as exigências estabelecidas na licença prévia, as chamadas condicionantes.
A licença prévia para Belo Monte foi concedida sob o argumento de que foram estabelecidas 40 condicionantes capazes de reduzir ou compensar os impactos da obra. E estes não são poucos. Na bacia do Xingú vivem 28 etnias indígenas que ocupam cerca de 20 milhões de hectares (40% da área da bacia). Na região há 440 espécies diferentes de aves, 259 de mamíferos e 387 de peixes. A obra provocará o deslocamento de pelo menos 20 mil pessoas de suas casas (população maior que a de 73% dos municípios brasileiros – Censo 2.000) e outras 100 mil pessoas podem migrar para a região, equivalente a toda população de Altamira, a maior cidade da região. Só a terra retirada para escavação dos canais representa 210 milhões de metros cúbicos, pouco menos que o volume retirado para a construção do Canal do Panamá.
O projeto de Belo Monte vem sendo questionado nos últimos 20 anos por seus impactos sociais e ambientais (e no último ano também por sua viabilidade econômica, que depende de isenções tributárias, créditos subsidiados e forte participação de empresas estatais e de fundos de pensão). O projeto foi alterado, mas sua viabilidade ambiental continua sob suspeita, porque os legítimos questionamentos da sociedade não são esclarecidos. E agora, com essa licença parcial, além dos graves problemas já mencionados, aumenta a percepção de estar ocorrendo um açodamento político injustificável e pouco transparente que só serve para por em cheque a credibilidade do órgão que deve zelar pela proteção dos recursos ambientais do país.

via Blog da Marina

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Cf. ainda:

What would have happened if the plane had landed?:



Ayoreo Indians on the future of their uncontacted relatives:



The last six survivors of a genocide, dance:



‘Before we knew it, we’d all caught pneumonia.’ The devastating impact of first contact:



Beast with Metal Skin An uncontacted tribe’s brush with the outside world:



New photos obtained by Survival International show uncontacted Indians in never-seen-before detail. The Indians are living in Brazil, near the Peruvian border, and are featured in the ‘Jungles’ episode of BBC1’s ‘Human Planet’ (Thurs 3 Feb, 8pm, UK only).
The pictures were taken by Brazil’s Indian Affairs Department, which has authorized Survival to use them as part of its campaign to protect their territory. They reveal a thriving, healthy community with baskets full of manioc and papaya fresh from their gardens.
The tribe’s survival is in serious jeopardy as an influx of illegal loggers invades the Peru side of the border. Brazilian authorities believe the influx of loggers is pushing isolated Indians from Peru into Brazil, and the two groups are likely to come into conflict.
Survival and other NGOs have been campaigning for years for the Peruvian government to act decisively to stop the invasion, but little has been done.
Last year an American organization, Upper Amazon Conservancy, carried out the latest of several overflights on the Peru side, uncovering further evidence of illegal logging in a protected area.
Marcos Apurinã, Coordinator of Brazil’s Amazon Indian organization COIAB said today, ‘It is necessary to reaffirm that these peoples exist, so we support the use of images that prove these facts. These peoples have had their most fundamental rights, particularly their right to life, ignored … it is therefore crucial that we protect them.’
Renowned Brazilian Indian leader Davi Kopenawa Yanomami said today, ‘The place where the Indians live, fish, hunt and plant must be protected. That is why it is useful to show pictures of the uncontacted Indians, for the whole world to know that they are there in their forest and that the authorities must respect their right to live there.’
Peru’s Amazon Indian organisation AIDESEP issued a statement saying, ‘We are deeply troubled by the authorities' lack of action… despite complaints from Peru and abroad against illegal logging, nothing has been done.’
TV presenter Bruce Parry of hit TV series Tribe said, ‘Protecting the land where uncontacted tribes live is of global importance. We have consistently failed to introduce them to our world without inflicting terrible traumas. It is for them to decide when they want to join our world. Not us.’
Survival’s Director Stephen Corry said today, 'The illegal loggers will destroy this tribe. It's vital that the Peruvian government stop them before time runs out. The people in these photos are self-evidently healthy and thriving. What they need from us is their territory protected, so that they can make their own choices about their future.
'But this area is now at real risk, and if the wave of illegal logging isn't stopped fast, their future will be taken out of their hands. This isn't just a possibility: it's irrefutable history, rewritten on the graves of countless tribes for the last five centuries.'

fonte


New photos: questions and answers

Who are the uncontacted people in the photos and footage?

Many tribes in this region suffered atrocities during the ‘rubber boom’ a hundred years ago, when wild rubber became an important international commodity. Many were killed or died from disease. However some managed to flee deeper into the forest. The uncontacted Indians living here today may be descended from these people.

Why have they painted and decorated themselves?

Many South American tribes use body paint as decoration and for other reasons. Red paint (known as urucum) is made from seeds from the annatto shrub. Indigenous people use it to colour things like hammocks and baskets, as well as their skin. (It is also used as a dye by the food industry.) Many Amazon tribes make black dye from the genipapo plant. Some also use crushed charcoal. Black can be used to signal hostility. Like other tribes in the region, the men have shaved their foreheads and have long hair.

How can they be filmed if they're uncontacted?

The Brazilian authorities have been monitoring this group of uncontacted Indians for years from the air. Over-flights are used to gather evidence of invasions of their land.
Indians certainly hear the plane long before it becomes visible. They will have seen many planes over the years from commercial jets to light aircraft belonging to missionaries, prospectors, and government authorities like FUNAI.

How do these people live? What do they eat? What are the foods visible in baskets?

They probably live in a similar way to many other Amazon Indians. They have cleared large vegetable gardens for fruit and vegetables, and manioc, maize, sweet potato, pumpkin, peanuts, papaya, and bananas can all be identified. They also plant cotton which is spun and woven for skirts. The men have cotton waist bands and some have small head dresses. The men carry bows and arrows for hunting – probably tapir, wild pig, deer and monkeys. No canoes have been seen (many Amazon tribes do not use them), but they probably fish as well.
Baskets are made to store vegetables and carry game and fish. (To the left of the main photo there is a pile of manioc or sweet potato, with peelings lying on the ground. The basket is full of papaya. At the entrance to the house are two baskets, one showing a carrying strap. The basket to the far right shows unpeeled tubers – probably manioc. Another is covered with banana leaves to protect whatever food is inside.)

What will their state of health be like?

It is likely to be very good. In the photos the Indians appear strong and healthy and their gardens are full of produce.

Why are the photos and video footage being released?

Various government officials in Peru and Brazil have denied the existence of uncontacted tribes and accuse indigenous organizations and their supporters of inventing them. The photos and footage provide clear and compelling evidence that uncontacted tribes do exist. Many tribal people recognize the importance of using the photos and footage to persuade governments to protect uncontacted peoples’ land and to uphold their rights. You can read statements from Yanomami leader Davi Kopenawa Yanomami and from COIAB, the network of indigenous organizations in the Amazon.

What next?

Survival is launching an urgent campaign calling on the Peruvian government to expel all loggers working illegally on the land of uncontacted Indians in Peru. Join the campaign.

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